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Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Célula Adormecida, por Isaura Pereira.

Opinião à Célula Adormecida por Isaura Pereira, autora do blogue Jardim de Mil Histórias.

«Quem me conhece sabe que gosto de thrillers, mas não de qualquer um. Sou um público difícil nesse género. Gosto de histórias bem escritas, credíveis e, sobretudo, bem fundamentadas. Tudo isto encontrei no livro A Célula Adormecida. Uma escrita impecável, um enredo interessante e personagens que nos envolvem. 


Quando leio, gosto de sonhar, mas também gosto de aprender. De sentir que o autor não só se preocupou com a ficção, mas com os factos reais da história. Toda a investigação e fundamentação que a história apresenta é notável. 


Um livro que fala da sociedade fragilizada em que vivemos, em que os valores da vida humana estão a morrer. Uma história de ficção, mas um retrato tão real que arrepia. Uma escrita elegante e real.


Foi uma leitura compulsiva, que naturalmente recomendo.»



Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt

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O Espião Português, por Tita Rodrigues.

Opinião ao O Espião Português, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

«Como opinar sobre O Espião Português sem revelar demasiado? Tarefa difícil, mas vou tentar...

O nosso protagonista é André Marques-Smith, que é o jovem diretor do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e também um espião da Cadmo, uma agência de espionagem semigovernamental.

Agradou-me imenso esta vida dupla de André. Por um lado, temos o dia-a-dia normal de um funcionário do MNE, com a sua família, os seus dilemas e inseguranças. Por outro, temos as missões ao serviço da Cadmo, sempre perigosas e com cenas capazes de nos deixar "o coração nas mãos".

Outro aspeto que me agradou foi, ao longo do livro, ter várias referências literárias, musicais e até de programas de TV. Estes detalhes fazem-me sentir que as personagens e as suas vidas são reais.

Além de uma história cheia de ação, temos também vários mistérios e surpresas, quer ligados às missões, como também diretamente relacionados com André, mas que não vou desvendar para não vos estragar a leitura.

Quanto a personagens, e apesar de André ser a principal, houve uma muito especial que me cativou logo no primeiro momento. O Kimi! Impossível ficar indiferente, é tão fofo!

O livro, e apesar de ser o primeiro do autor, tem uma escrita fluída, com uma história com bastante ritmo, que nos faz querer virar página atrás de página. E como primeiro volume de uma trilogia, deixa-nos várias questões no ar, deixando-nos em pulgas pela continuação.

O Espião Português é um bom livro de espionagem, de um jovem autor português, com um bom ritmo de ação e uma boa dose de mistério que, estou certa, vos irá proporcionar uma leitura muito prazerosa.»


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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O antissocial.


Por motivos que prefiro manter privados, coloquei a forma como faço a gestão das minhas redes sociais e o conteúdo/
design do meu site oficial sob o escrutínio de profissionais da área. Os resultados não poderiam ser mais desanimadores, uma vez que, de acordo com essas pessoas, estou a fazer (quase) tudo mal. O site não gera tráfego além daquele que vai diretamente à minha procura e as entradas que faço no Facebook, Instagram e afins aparentam não ter uma estratégia por trás.

Estas observações não deixam de ter a sua pertinência. Sou um escritor, não uma estrela
pop. Portanto, não se pode esperar uma grande legião de seguidores (a menos que compre pacotes de likes, coisa que prefiro não fazer) e, como eu referi na reunião, eu posso não ter muitas pessoas comigo, mas as que tenho são fiéis, compram os livros e interagem. Por outro lado, quando me comparo com outros colegas que, ao que me parece, têm resultados inferiores aos meus nas livrarias, mas são efetivamente mais populares nas redes sociais, não deixo de admitir que a conclusão foi bem tirada. Eu ando mesmo a fazer algo de errado.

Já antes aqui escrevi sobre isto, acerca do muito que posso ter para dizer/ partilhar e que, todavia, escolho não tornar público. Tenho uma opinião sobre o que se passa à minha volta. A minha vida é uma complicação tão grande, que dava uma novela em pequenos capítulos no Twitter. E almoço, vou à praia, entre outras muitas coisas que poderia mostrar. Mas será que é mesmo isto que as pessoas querem? Há uma necessidade de ver assim tanto de mim?

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A Célula Adormecida, por Cláudia Pacheco.

Opinião por Cláudia Pacheco, Encruzilhadas Literárias, à Célula Adormecida.

«"A Célula Adormecida" não deixa de ser um livro atual, nem pode deixar de o ser, atendendo ao mundo em que vivemos hoje. Arrisco-me a dizer sem medo que este terá sido também um fator de peso para todos os que adquiriram o livro nestes últimos meses. Ninguém quer imaginar o que seria ver/acontecer tragédias que já se perpetuam em outros destinos europeus neste nosso canto ao mar plantado. Mas ainda assim, o fator risco e a possibilidade que infelizmente nunca poderemos descartar, leva a que um quase voyeurismo que nos imerge nesta necessidade de pensar nos "e se?" e "como faríamos no caso de?".

Considero também uma leitura necessária, cada vez mais, numa lógica de desmistificação de conceitos, preconceitos e estereótipos, para o bem de todos os que pretendem viver numa sociedade mais sã e sadia, de pensamento e de vivências. Não é de todo um livro pregador, mas a clarificação de acontecimentos, momentos, práticas religiosas, incursões culturais e muito mais, são tentativas claras de separação do trigo do joio e de elevação moral com a qual concordo e defendo, ainda que por vezes se caia na falácia de abordar uma situação complexa como exemplificativa em dois extremos ideológicos, esquecendo-se do espetro multifacetado e diversificado existente entre ambos. Ainda assim, julgo que foi uma abordagem propositada, especialmente numa época em que todas estas questões são sensíveis e essa exigência de separação de conceitos e procedimentos muitas vezes tão confundidos pela opinião pública era preponderante e necessária para abordagens que vão para além da leitura e que contribuem para questões de cidadania.

Dito isto, vamos voltar-nos para o enredo. Quando li a sinopse, imediatamente veio-me à mente um filme que tinha visto há largos anos, chamado precisamente "A Célula", com o Denzel Washington e a Annette Bening. Cedo me apercebi que tinha de limpar a mente e esquecer-me do enredo associado ao filme em causa para desfrutar da trama.

O autor já nos habituou ao seu estilo de narrativa: descritivo, indutor, com muita ação e capacidade de criar reviravoltas que surpreendem o leitor mais desatento. Estão também feitas para não serem desvendadas, ainda que um olhar mais acutilante chegue lá com alguma precisão. Mesmo sem um volte face constante, a narrativa prende, atendendo à rapidez dos acontecimentos e também à sua colocação espácio-temporal restrita e bem definida.

Gostei da adrenalina que proporcionou, sendo uma leitura rápida, fácil e bem conseguida, que mistura as doses certas de ação e secretismo, momentos-chave que criam elementos de andamento acelerado na história e uma série de tramas paralelas que contribuem para o enredo original (e que por vezes se interpelam, de forma a que quando algo novo ocorre em alguma delas, existe sempre um elemento de superação).

Quanto à trama principal (ou aquela que vou tomar como principal), gostei da personagem de Afonso Catalão e das suas várias dimensões, embora tenha ficado desiludida com o grande segredo que socorre este homem, uma vez que contava com algo mais original e diferenciado dos romances anteriores do autor.
 
As caracterizações desta célula adormecida foram bem fundamentadas, plausíveis e capazes de gerar discussão, que é essencialmente o que a narrativa pede. Não me senti muito confortável com os mecanismos de ignição das suas demonstrações públicas, porque na sua maioria foram todas rápidas, simplificadas e bastante semelhantes, e dado todo o tratamento cuidado ao longo do livro assim como a natureza sensível da narrativa, pareceu-me uma resposta demasiado fácil para os acontecimentos. Especialmente quando a fórmula de cativação se supõe a mesma para todos os membros, gerando algumas situações menos bem conseguidas no meu entender.

Senti também que por vezes surgiram alguns elementos que não me eram muito lógicos e que perfaziam o número somente para dar o salto estratégico para o avanço da narrativa, mas foram situações tão pontuais e menores que nunca estragaram a experiência de leitura. 

Olhando para trás agora após tantos meses, suponho que um dos fatores que mais me entusiasmou e manteve agarrada à narrativa é a fórmula que o autor utiliza, e que por vezes me faz lembrar o Dan Brown (não porque sejam iguais, mas porque julgo que os seus fãs se sentiriam bastante confortáveis em ler os livros do Nuno Nepomuceno quando em busca de algo do mesmo género): um
thriller onde há vários planos de ação, todos desvendados por camadas e perante a superação de obstáculo a obstáculo, com inimigos ocultos, romances algo inesperados que surgem por força de situações extremas onde só a confiança e a cumplicidade poderão salvar as personagens em perigo, uma eminência na temática principal que interliga de uma forma ou de outra todos os intervenientes da narrativa e uma série de informação didática, importante, com capacidade de ensinar sem ser cansativa e aparecendo com esmero quase como se não fosse sua intenção estar presente, mas que não nos abandona a mente durante toda a narrativa.»


Cláudia Pacheco
Encruzilhadas Literárias

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A Célula Adormecida. Por Cristina Rodrigues.

Opinião por Cristina Rodrigues, Sinfonia dos Livros, à Célula Adormecida.

«Mesmo antes do lançamento de “A Célula Adormecida” que já tinha ouvido falar bastante do Nuno e da sua trilogia “Freelancer”. Muito boas críticas que me ficaram em mente e com uma certa curiosidade em ler um dos trabalhos do Nuno. “A Célula Adormecida” foi uma leitura, no mínimo, brilhante e que fez jus a todas as críticas que tive a oportunidade de ler!

“A Célula Adormecida” inicia-se com dois acontecimentos marcantes que iriam toldar o futuro do nosso país: o recém-eleito primeiro ministro acaba de se suicidar e um bombista suicida acaba de detonar uma bomba num autocarro em plena capital. Rapidamente se alastram a opiniões de que o autoproclamado Estado Islâmico está por detrás do ataque suicida que vitimou algumas pessoas que se encontravam por lá perto. Contudo, fica uma questão no ar: estará o suicídio do recém-eleito primeiro ministro de alguma forma ligado ao ataque bombista ou terá sido apenas uma mera coincidência?

Afonso Catalão é atualmente professor universitário e especialista em Ciência Política e Estudos Orientais e, por isso, a melhor pessoa aos olhos de muita outras que poderá dar algumas respostas a todas as questões que se levantaram após aqueles dois acontecimentos. Devido ao seu tão caprichado currículo, Afonso Catalão colocado na ribalta, dá uma entrevista, expondo o seu ponto de vista para tentar explicar o que esteve na origem de tais horríveis acontecimentos. Mas Afonso terá um papel bem mais importante em toda a história do que se poderá pensar, pois, também ele tem segredos e um passado em que esteve bastante ligado à cultura islâmica. Mesmo vivendo em Portugal, Afonso frequenta a mesquita, é um grande amigo do imã e de uma família de refugiados que veio para Portugal com o intuito de fugir à guerra que fustiga diariamente o seu país.

Desde os primeiros capítulos que as entidades competentes e encarregues do caso do bombista suicida alertam para a possibilidade de estar em Portugal uma célula terrorista que poderá estar por detrás daquele acontecimento horrível. E, mais uma vez, Afonso Catalão é solicitado para ajudar nas investigações!
Desde muito cedo que o Nuno foi capaz de criar uma ligação fortíssima entre cada uma das personagens e o leitor! Apesar das muitas diferenças que possam existir e que tornam cada uma das personagens únicas, fui incapaz de não me ligar a cada uma delas de uma forma única!

Afonso é um homem que vive diariamente atormentado pelo seu passado, mas isso nunca o impediu de lutar por aquilo que acredita ser o mais correto. Diana Santos Silva, uma outra personagem muito importante para todo o desenrolar da história, é uma mulher cheia de vida e garra! Apesar da personalidade forte que transmite, Diana também vive com os seus demónios que apenas conhecemos lá mais para o meio da história! No entanto, mesmo com todos os obstáculos que Diana tem de ultrapassa, o seu trabalho é exemplar!

Por outro lado, ainda há a Sarita, filha da família refugiada amiga de Afonso Catalão. Sarita é uma jovem menina cheia de vida! Apesar das dificuldades que enfrenta na escola devido à sua religião, Sarita nunca desistiu de viver e nunca deixou que isso lhe tirasse o sorriso. Foi por isso que Sarita me marcou tanto! Apesar do final triste de Sarita, senti que ela deixou uma mensagem bem clara e que marca realmente o leitor!

A narrativa de “A Célula Adormecida” pode ser extensa, mas todos os acontecimentos que se passaram são importantes, cada um à sua maneira! E neste aspeto acho que o Nuno fez um excelente trabalho! A forma como todos os acontecimentos se interligaram e se complementaram foi muito bem pensada e trabalhada! É percetível que o Nuno fez um trabalho brilhante no que diz respeito à pesquisa mais direcionada para o autoproclamado Estado Islâmico e sobre a cultura islâmica! E todo esse trabalho resultou numa obra exímia!

O culminar de toda a obra foi brilhante! Apesar de suspeitar de que fossem acontecer certas coisas, nunca me passou pela mente que outras fossem, de facto, acontecer também! E é isso que este livro tem de magnífico! O Nuno soube exatamente a forma e o momento certos para que algumas coisas acontecessem! Este é, sem dúvida alguma, um livro que recomendaria a qualquer pessoa! Uma narrativa excelente, com personagens cativantes e acontecimentos marcantes! Uma leitura fantástica!»


Cristina Rodrigues
sinfoniadoslivros.blogspot.pt

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Autorização de saída!

Estive recentemente em Israel, nomeadamente em Jerusalém, onde passei alguns dias de férias. Quem me segue nas redes sociais viu algumas das fotografias que partilhei. Para os restantes, deixo aqui uma pequena reportagem sobre a Terra Santa. Recomendo vivamente.

No 1º dia fiz uma pequena passagem pelo Cardo, o mercado romano, antes de ir ver o Muro Ocidental e o Monte do Templo.

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Não há local mais sagrado para um judeu do que o Muro Ocidental. Exatamente por cima, encontra-se a Esplanada das Mesquitas e a Cúpula do Rochedo. Jerusalém é a 3ª cidade mais importante no Islão, logo depois de Meca e Medina.

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Foi também em Jerusalém que Jesus foi crucificado e percorreu a Via Sacra até ao local da crucificação.

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No 2º dia foi altura de visitar os mercados da cidade. Com 3 bairros, o judeu, o muçulmano e o cristão-arménio, as oportunidades para o negócio são mais do que muitas. O Portão de Jaffa dá acesso a um dos mais movimentados.

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A cidadela, também conhecida por Torre de David, é um museu a céu aberto. A Torre de Faisal proporciona vistas deslumbrantes sobre a cidade e à noite há até um espetáculo multimédia sobre a história do país.

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O 3º dia foi dedicado à Igreja do Santo Sepulcro, o local onde Jesus foi crucificado e sepultado. De tarde, seguiu-se o Monte das Oliveiras. Daniel Silva diz que me cruzei com Gabriel Allon a caminho do hospício onde Leah está internada. Winking

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Houve ainda tempo para mais uma visita ao Muro Ocidental e conhecer o Museu de Israel.

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E chegou o dia das despedidas. O adeus foi dado em Telavive, com um pequeno passeio na marginal.

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Termino com uma pequena recordação que trouxe dentro do passaporte. As autorizações de entrada e saída de Israel. Happy

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A Célula Adormecida, por Cristina Gaspar.

Opinião retirada do canal no YouTube sobre livros e cerveja artesanal:



Cristina Gaspar
Books and Beers

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A Célula Adormecida, por Maggie Reis.

Opinião retirada do blogue Maggie Books, por Maggie Reis.

«Se me disserem que nunca ouviram falar deste livro, ficarei muito espantada. Está nos destaques das livrarias por todo o país, toda a gente fala dele, imensos blogues já publicaram as suas opiniões... é mesmo uma loucura! E há uma explicação lógica para tudo isso. Este livro é... espetacular! 

Já tinha curiosidade em ler um livro sobre o
Daesh há imenso tempo, tenho pegado em alguns livros sobre o assunto e finalmente tive a oportunidade de ler um. 
Infelizmente gostava que fossem discutidos mais factos históricos sobre a Síria e o tormento que o seu povo tem vivido. No entanto, tenho noção de que para tal o livro teria de ser muito maior do que já é. Sendo uma obra de ficção não posso desejar que contenha demasiados detalhes históricos. 

Esta é uma excelente obra de ficção e vou recomendá-la a todos os meus amigos e família.  Adorei cada página e gostava de ter tempo para o voltar a ler no futuro. 

As personagens são maravilhosas ao ponto de sentir uma empatia quase que palpável por algumas delas. Fantástico! Vou recordar a Sarita e o Professor Afonso Catalão para sempre. O enredo está muito bem construído e adorei ver como todas as coisas se iam interligando. A forma como as personagens interagiam umas com as outras... é muito cativante de ler. Principalmente as conversas entre Afonso e Diana.  

Normalmente não me impressiono com facilidade, mas tenho de admitir que fiquei realmente surpreendida com o desfecho da história



Maggie Reis
Maggie Books

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De férias.

Mais de 4 meses passados sobre a publicação da Célula Adormecida, julgo ser apropriado fazer aqui um pequeno balanço sobre o percurso do livro e o impacto que tem tido na minha carreira. Tentarei não me alongar, mas irei também dar conta do que está, para já, previsto para os meses que ainda estão por vir.

O sentimento é extremamente positivo. A noção que tive é que
A Célula Adormecida constituiu, para mim, o livro certo na altura adequada. O esforço foi grande. Eu terminei A Hora Solene no fim de Agosto e sentia-me particularmente saturado de tudo por volta do Natal de 2015. Ter regressado apenas 11 meses depois da conclusão da trilogia Freelancer foi não só uma prova que dei a mim mesmo sobre a minha capacidade de trabalho, como se revelou estrategicamente certo. As livrarias acolheram o livro de forma excecional, fazendo-me acreditar que ainda há esperança, de que o esforço que comecei a fazer há mais de 15 anos, quando elaborei o primeiro esboço daquilo que se viria a transformar no Espião Português, não está a ser em vão. Muito ou pouco, tem existido crescimento. Por exemplo, A Célula Adormecida conseguiu aquilo que nenhum dos volumes da trilogia havia atingido — ser n.º 1 dentro do seu próprio género na Wook e Fnac. Recordo que eu já tinha liderado estas contagens antes, mas apenas com edições eletrónicas. Tê-lo alcançado em papel foi inédito para mim e particularmente saboroso. Sobretudo, porque foi um passo em frente. E é nesse sentido que desejo continuar a caminhar.

Outro aspeto positivo é que, de uma certa forma, os meus livros andam a puxar uns pelos outros. Por exemplo,
O Espião Português está em subida na Wook, onde se posicionou à entrada do top 20, apenas 4 lugares abaixo da Célula Adormecida, que entretanto tem caído um pouco. O mesmo não está a acontecer na Bertrand. É o atual vice-líder dos thrillers desta cadeia livreira, atrás do eterno A Rapariga no Comboio. É possível que quem esteja a ler esta entrada o desconheça, mas a verdade é que hoje em dia, tendo em conta as especificidades do mercado, calcula-se que o período de vida de um livro em Portugal (exceção feita aos grandes best-sellers) ronde as 8 semanas. A partir daí, é velho.

Estes são apenas factos, coisas que pertencem ao passado. O futuro vem aí e será necessariamente mais pausado do que os (turbulentos) últimos tempos. Dei por mim a conversar há poucos dias com uma pessoa e a dizer que «este ano ainda agora começou e eu já estou farto dele». Não costumo entrar em pormenores sobre a minha vida pessoal, mas o azar tem andado a bater à porta, isso é irrefutável. Uma semana inteira com 39º de febre e um acidente com o carro são insignificantes no meio de tudo o de mau que já aconteceu.

Por isso, o ritmo irá ser mais brando nos próximos tempos. As entradas aqui passarão a ser menos regulares, embora vá tentar escrever pelo menos 2 ou 3 por mês até ao fim da primavera. E dentro de uma semana irei mesmo tirar uns dias de férias. Espera-me uma viagem de mais de 6 horas com uma escala a meio (para ser mais barato), mas como irei colocar uma ou outra fotografia
online, escondo para já o destino, prometendo revelá-lo na altura.

Termino com essa promessa e com algo que me deixou bastante orgulhoso quando recebi o convite e que, de uma certa forma, também ilustra a tal progressão mencionada no início desta entrada. Aqui deixo o cartaz da Universidade Lusófona. Sim, sou mesmo eu o orador no dia 18 de Maio. Happy


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O que eu tenho andado a ler.

Os seguintes textos não são opiniões/ críticas aos livros apresentados. Com esta entrada desejo apenas dar a conhecer um pouco daquilo que leio e fazer algumas sugestões de leitura a quem estiver interessado.

Gosto bastante de ler e tento fazê-lo de forma regular. Infelizmente, o tempo tem andado algo curto. Duas carreiras, ambas igualmente exigentes, se bem que de forma bastante diferente, não é fácil de lidar e os últimos tempos têm sido particularmente difíceis no que à conjugação das duas diz respeito. Ainda assim, aqui fica o que li desde o verão do ano passado até fevereiro de 2017.


O Espião Inglês, Daniel Silva, Harper Collins

Este é mais um dos já vários volumes da série protagonizada por Gabriel Allon, o espião israelita ao serviço da Mossad com uma predileção especial pelo restauro de arte. Quem já leu estes livros sabe perfeitamente que são algo estereotipados, com uma construção narrativa que muda pouco ou nada, o que não impede que sejam bastante bons dentro do seu género.
O Espião Inglês não é exceção, antes pelo contrário. Destaco a transição Belfast — Lisboa — Londres, onde Daniel Silva se excedeu e nos oferece do melhor que já fez.


O Que Ela Deixou, T. R. Richmond, Editorial Presença

Essencialmente, trata-se de um thriller psicológico dos tempos modernos, mais adaptado à realidade inglesa e norte-americana, do que à portuguesa. Começa com o homicídio da protagonista, Alice Salmon, seguindo-se a reconstrução da sua vida desde a infância em casa dos pais até ao acontecimento que conduziu à sua morte, já na idade adulta, através de uma compilação de tudo o que um professor consegue encontrar sobre ela (excertos do diário, cartas, sms, tweets, etc&hellipWinking. Talvez a primeira parte do livro seja algo parada, mas depois ganha mais ritmo e torna-se num livro interessante e de agradável leitura.


O Quinto Evangelho, Ian Caldwell, Editorial Presença

E se existir um quinto evangelho, além dos quatro já conhecidos (S. Marcos, S. Lucas, S. Mateus e S. João)? É esta descoberta que move a intriga principal do livro, cuja ação decorre integralmente na cidade do Vaticano. O livro vai mais além dos contornos habituais do género e revela-se uma obra muito interessante sobre religião, sobretudo, pela caracterização que faz da relação entre ortodoxos e católicos. A relação entre o pai e filho também foi muito bem trabalhada pelo autor.


O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler, Porto Editora

Romance histórico passado na altura da perseguição aos judeus que ocorreu em Portugal e Espanha no fim do século XV e, como tal, uma excelente reconstrução da Lisboa da época. O livro começa com a morte do tio do protagonista e demonstra que é possível construir um romance com contornos policiais, sem ainda assim perder o rigor e exatidão que se exigem a uma obra com esta ambição.


O Discípulo, Hjorth & Rosenfeldt, Suma de Letras

2º volume da série Sebastian Bergman, o
profiler que colabora ocasionalmente com o equivalente sueco à Polícia Judiciária portuguesa. O protagonista não é uma personagem simpática, o que, no caso do 1º volume me tinha dificultado algo a leitura. Contudo, a dupla de autores responsável pela série fez algo muito inteligente — utilizou essa característica para criar algum humor, dotando Sebastian de uma empatia que até este livro não lhe conhecia. Edward Hinde, o vilão do livro, é uma personagem fascinante, bem trabalhada, que carrega o enredo, quase nos fazendo desejar que seja bem-sucedido. Ah, e não sei se fui eu que interpretei mal, mas para quando um romance entre a Vanja e o Billy?


pilhadelivros





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Istambul, capital de 3 impérios.

É uma das localizações mais importantes em A Célula Adormecida, nomeadamente por ser o local que melhor define a personagem principal do livro, Afonso Catalão, e os acontecimentos que marcaram o seu passado e que contribuem para a respetiva densidade psicológica. Deixo-vos aqui algumas imagens do artigo inédito que escrevi sobre a antiga Constantinopla e convido-vos a lerem-no na devida secção do site. Também podem aceder-lhe através da barra lateral (à direita). Aproveitem. É de graça.


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A Célula Adormecida, por Odete Silva.

Opinião retirada do blogue Destante, por Odete Silva.

«Gostei imenso da trilogia Freelancer e foi uma agradável surpresa quando vi nas redes sociais que o Nuno, no segredo dos deuses, ia publicar um novo livro. Aliás, já estava pronto a sair nas livrarias com o título A Célula Adormecida.

A capa está fantástica e a sinopse agradou-me de imediato, pois como já disse muitas vezes, tenho interesse e imensa curiosidade em conhecer outras culturas. E aqui está um livro que me elucidou um pouco sobre os costumes de um povo do qual sei pouco.

Todos nós sabemos que é o fanatismo, o extremismo aquilo que estraga as religiões e mancha a reputação e faz denegrir a imagem de um povo e das suas crenças ao matarem em nome do seu Deus. Tal como diz o ditado, «paga o justo pelo pecador».

Neste livro, somos brindados com um enredo espetacular e com um tema que não poderia ser mais atual. Já li alguns livros sobre a cultura muçulmana para tentar entender as suas ideologias, crenças e forma como vivem. E o Nuno conseguiu neste livro trazer alguns ensinamentos e factos que desconhecia, fazendo-o de uma forma objetiva, mas com sensibilidade.

Nota-se nitidamente desde o início até ao fim do livro que o autor fez uma pesquisa apurada não só sobre a religião muçulmana, mas sobre política, terrorismo e factos históricos. Isso está patente quer nos detalhes, quer nas personagens, porque a narrativa mistura ficção com realidade, tudo muito bem interligado. Chega a ser assustador, pois sabemos que acontece na realidade.

O enredo é arrebatador desde a primeira página. Tanto a morte do novo primeiro-ministro português, o que acontece a uma jornalista que se vê em verdadeiros apuros em Istambul, na Turquia, como o atentado num autocarro no centro de Lisboa reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico, todos estes acontecimentos são narrados num período de tempo muito específico, ou seja, durante os 30 dias do Ramadão. Já pensei tantas vezes que não estamos livres de um atentado no nosso país. Espero que nunca aconteça.

Quanto às personagens, cativaram-me. Desde o protagonista, o enigmático Afonso Catalão, um reputado especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, à família muçulmana refugiada em Portugal e que não deixa ninguém indiferente, o autor conseguiu que o leitor se sinta próximo dos problemas que cada um enfrenta diariamente, envolvendo-nos durante toda a narrativa.

A Célula Adormecida é sem dúvida um livro muito bem estruturado. As suas 600 páginas foram lidas num ritmo galopante. É incrível quando um autor consegue esta proeza de prender o leitor do início até ao fim, pois não existem momentos parados. Lê-se num ápice e uma coisa de que gosto imenso são os capítulos curtos. Viciam de tal forma que não se consegue parar. Acabamos sempre por ler mais 2 ou 3 sem dar por isso. Claro que ajuda muito o facto de o enredo ser viciante, cheio de ação, mistério q.b. e suspense. Trata-se de um excelente thriller, muito bom mesmo. Por isso, recomendo que o leiam.»

Odete Silva
Destante blogue

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A Célula Adormecida, por Rosana Maia.

Opinião retirada do blogue Bloguinhas Paradise, por Rosana Maia.


«Tudo começa quando Ibrahim – muçulmano – provoca uma explosão num atentado em Lisboa. Simultaneamente, também o futuro primeiro-ministro é encontrado morto. E é a partir destes acontecimentos que o autor nos dá a conhecer o que é ser muçulmano, o que é o autoproclamado Estado Islâmico e o que é ser refugiado. Relativamente a este aspeto, considero a obra muito atual e de extrema importância para toda a gente. Se há algo que esta obra fez por mim, foi enriquecer-me culturalmente neste assunto de uma forma não maçadora. Contudo, é um tema que exige uma leitura atenta para uma melhor compreensão do mesmo. Claro está que se calhar quem já percebe bem o tema não precisa de tanta atenção como eu.

Mas perante um livro que nos é apresentado como
thriller, a verdade é que como leitor esperamos isso mesmo. No entanto, o que senti foi que não foram o mistério e a ação que assumiram o papel principal nesta história, mas sim o esclarecimento do tema de base. De certa forma, compreendo que tal tenha acontecido, porque fazia parte da ideia do autor trazer o tema ao de cima. Mas penso que se houvesse um maior equilíbrio teria sido possível focar devidamente este tema e não descurar o thriller. Ainda assim, volto a deixar a ressalva que gostei bastante da obra.

E como seria de esperar do Nuno Nepomuceno, há coisas que nunca mudam e que na minha opinião não devem mesmo mudar. É verdade que a escrita do autor evoluiu muito desde o seu início – cada vez mais contínua a fluida –, tornando a leitura mais rápida do que achamos que iria ser com tantas páginas. No entanto, mais do que a evolução na escrita, a capacidade de interligar e transmitir várias mensagens não necessariamente relacionadas é efetivamente uma qualidade a referir. Apesar de não ser uma novidade no Nuno, é mesmo das coisas que mais gosto nele.

Outra das caraterísticas de que gosto muito no Nuno é a capacidade de envolver o leitor e de o fazer sentir algo. No entanto, no que diz respeito a esta última, não me pareceu tão bem neste livro como nos anteriores. Com isto não quero dizer que o livro não me envolveu e não me fez sentir, porque fez. No entanto, personagens como Afonso e Diana (de grande destaque ao longo da narrativa) não me fizeram sofrer por elas. Já por exemplo Sami Fahran fez-me sofrer um pouco e lembrar-me desta tão bela caraterística do Nuno que penso estar apenas escondida no meio de um livro muito enriquecedor.

Acima de tudo, penso que o objetivo a que o autor se propôs era muito alo. E que em relação a isto, não defraudou as minhas expetativas, porque considero que sendo a escada a subir tão grande, o resultado é invejável. No entanto, sinto-me cada vez mais exigente com o Nuno. Após a leitura de três livros (trilogia
Freelancer) da sua autoria, é claro que fiquei a conhecer em cada um inúmeras caraterísticas dele e agora sinto que as quero todas.»

Rosana Maia
Bloguinhas Paradise

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Páginas Soltas.

Estive recentemente na Torres Novas FM, a rádio local da cidade com o mesmo nome, onde participei no programa Páginas Soltas. Sandra Barbosa, a anfitriã, conduziu a entrevista durante quase uma hora, onde abordámos vários temas, desde a minha infância, algumas curiosidades sobre o Prémio Note 2012 e, claro, os meus livros. Deixo em baixo a 1ª parte do podcast e a promessa de regressar em breve com mais uma entrada ainda esta semana. Estejam atentos. Até breve. Happy




Torres Novas FM
Páginas Soltas, por Sandra Barbosa
27 de janeiro de 2017
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A Célula Adormecida, por Paulo Pires.

Opinião retirada do blogue Livros e Marcadores, por Paulo Pires.



«O livro abre com 2 eventos fortes ... prepare-se ...


O Nuno é detentor de uma narrativa fotográfica invejável, quando descreve cenários além-fronteiras oferece um retrato vivo, dinâmico e extraordinário. É um prazer viajar nas palavras de Nuno.

Apreciei a pesquisa que verteu no livro. O cuidado e a linearidade que utilizou na explicação dos eventos. Foram descritos e explicados rituais que desconhecia, tal como as razões que os suportam.

Gostei do toque sombrio e realista que acompanha o livro. Os eventos dilacerantes que acontecem a algumas personagens são crus, “em bruto”, e dão personalidade ao livro! Apesar de muito dramáticos e em “catapulta” são importantes, no objetivo que julgo acompanhar o livro.

Na minha opinião, a necessidade de contextualizar a história, de explicar determinados eventos, por vezes deslocou/afastou a tensão que a ficção requer em determinado momento da curva da narrativa. Nada que afete a qualidade do livro, longe disso. Até porque a escrita é para ser ousada e quebrar estereótipos e moldes.


Dos 4 livros que li do autor este é o mais sombrio, o que tem mais “substância” ou retorno para o leitor, se preferirem. O que tem a mensagem mais forte. E acaba por mostrar de uma forma muito simples que a vida não é feita de linhas retas, antes de linhas retorcidas que se enrolam e se prendem umas nas outras. E cabe a cada um de nós ter a abertura de espírito para respeitar as diferenças com que nos confrontamos e que nos envolvem no dia-a-dia, e aceitá-las com o bom senso necessário. Não haverá falta de oportunistas para pegar nesses emaranhados de linhas e as tentem conduzir para o caos e o abismo!
 
Notou-se o trabalho árduo que teve. E confesso que pesquisei alguns dos temas que abordou validando-os se eram ficção ou realidade.  Fiquei surpreendido com o que desconhecia...

Acho que este livro tem um valor que ultrapassa a mera ficção, e esse também é o papel de um escritor, oferecer algo mais do que apenas uma história. Pois uma história tem um papel que vai muito além da imprescindível parte lúdica.

O toque magistral deste enredo é para mim a mensagem que vem à superfície! Não há heróis! Não há um super-homem que após um pontapé no meio de uma cambalhota acrobática desarma e derrota os "maus" no último segundo e restabelece a harmonia e a paz.

Nesta guerra de loucos, nesta cruzada à luz de estandartes fantasmas só há perdas!!!  Em todos os quadrantes! Perdas de vidas, perda de esperança, … nada se soma tudo se subtraí, mesmo quando aparentemente alguém lucra, há mais e mais perdas, perdas de integridade, perdas de humanidade...

Bom trabalho Nuno.»


Paulo Pires
livrosemarcadores.blogspot.pt

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O lançamento em retrospetiva.

Artigo retirado dos jornais Diário do Distrito e Nova Gazeta.

«LITERATURA | Nuno Nepomuceno fala sobre "A Célula Adormecida", o seu mais recente livro
2017-01-16 13:47:23

A 30 de Novembro de 2016, na FNAC Colombo, em Lisboa, o escritor de thrillers Nuno Nepomuceno apresentou o seu mais recente livro “A Célula Adormecida”. Neste seu último trabalho tratam-se assuntos tão atuais como religião e terrorismo.
 
Madalena Condado esteve à conversa com o autor, num trabalho conjunto para o Diário do Distrito e para o Jornal Nova Gazeta.

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Para quem já leu as anteriores obras do Nuno sabe que o talento está todo lá, não deixará, contudo, de ser surpreendido pelos locais, as situações, mas principalmente pela transformação que se nota na sua escrita mais fluída, consistente e viciante. Na obra “A Célula Adormecida” consegue sentir-se um grandioso enriquecimento de conteúdos na sua abordagem a temas tão polémicos que nos entram em casa diariamente através da televisão. 
 
Neste dia tão importante para o Nuno estavam sentados à sua mesa as pessoas que, de alguma forma , contribuíram para este seu novo sucesso:Fernando Gabriel Silva (o seu Editor na TopBooks), o Sheikh Munir (Imã da Mesquita Central de Lisboa) e Luís Pinto (blog Ler Y Criticar).
 
Lembro-me de uma das frases ditas pelo seu editor que me marcou particularmente e que passo a citar: “Todos os editores tentam encontrar o seu escritor e eu tive o privilégio de o encontrar no Nuno”. Mas se é verdade que escrever requer muita paixão, e principalmente talento, tudo qualidades que o Nuno tem na medida certa, também é certo que por detrás de um grande escritor tem que existir um editor que acredite nesse trabalho e ajude na promoção do mesmo.
 
“A Célula Adormecida” é um thriller psicológico onde o suspense impera, trata de um tema atual e controverso sempre contextualizado com factos. Acredito que foi necessária muita pesquisa para se documentar, passo importante para conseguir manter o leitor preso à sua leitura do início ao fim. Consegue uma vez mais, como lhe é típico, dizer muito com poucas palavras, mas, mais importante ainda,  leva-nos a questionar, a cada folhear de página, sobre tudo o que não compreendemos e temos medo na religião e no terrorismo. 
 
O Sheikh Munir começou por nos cumprimentar a todos com uma bênção Salaam Aleikum (a paz esteja convosco), explicou o fascínio que o interesse do Nuno lhe tinha despertado, principalmente quando percebeu que a estória do livro seria passada durante os 30 dias do Ramadão. Aproveitou para esclarecer o significado desses dias: os 10 primeiros sendo os dias de misericórdia, os 10 posteriores de perdão sendo que os últimos 10, os dias em que pedimos salvação. Confessou ainda que tinham sido a persistência, curiosidade e conhecimentos do Nuno sobre os assuntos abordados o impulso  de que necessitara e o levara a acreditar que os temas falados neste livro, através da sua visão, tinham tudo para correr bem.
 
O Nuno confessou que o seu género de escrita favorito é a espionagem, mas que com este seu último livro quis dar um passo em frente chegar a mais pessoas não somente para as entreter, mas também para transmitir uma mensagem. Em “A Célula Adormecida” tenta desmistificar o Islão, a comunidade muçulmana em particular, ao mesmo tempo que aborda temas como a xenofobia, racismo, expressão social, consegue colocar-nos a pensar na forma como cada um de nós tende a julgar as outras pessoas.
 

Mas, para que fiquem a conhecer o autor ainda um pouco melhor, coloquei-lhe três questões, e, desde já, aconselho a que sigam o Nuno através das suas páginas (site e redes sociais) e, quem sabe, se aparecerem numa próxima apresentação para trocarem dois dedos de conversa. É garantido que vão gostar.
 
Entrevista Breve:
 
Como se descreveria?
 
Chamo-me Nuno, tenho 38 anos, escrevo profissionalmente há 4, gosto de cinema, fazer BTT, passear com o meu cão, ler e escrever.
 
Dá muito valor à investigação e às suas fontes antes de começar um livro ou foi somente para a escrita da "Célula Adormecida"?
 
A investigação é uma parte muito importante do meu processo criativo e que me acompanha desde o meu primeiro livro. Não consigo iniciar um manuscrito completamente do zero. Preciso sempre de estudar e saber mais, de me preparar corretamente para o que vou enfrentar a seguir, e só depois disso é que surgem as ideias, que me sinto seguro em relação ao rumo escolhido. Escrevo thrillers, mas não me considero extremamente comercial. Julgo que ofereço conteúdo. Os meus livros não são uma sucessão de twists com vista a manter o leitor agarrado, mas sim histórias ricas em intriga de forma a apaixoná-lo. E tal só se consegue se estivermos convenientemente preparados. Por exemplo, em "A Célula Adormecida", o tempo que despendi em pesquisa ultrapassou o da redação do livro.
 
Não tem medo que o tema que aborda no seu último livro se possa vir a tornar uma realidade no nosso país? Que de alguma forma esteja a dar algumas "ideias" de como o fazer e onde?
 
Há sempre esse risco, mas não creio que o livro incite à violência. Esse teria sido o caminho mais fácil — aproveitar as controvérsias que rodeiam o Islão e explorar a parte mais negativa do extremismo. O que procurei fazer com A Célula Adormecida foi introduzir uma abordagem inovadora não só ao nível do tema do livro, como da religião muçulmana em si. Quem o ler irá encontrar uma obra bem diferente do que o título sugere. A mensagem final que transmite é de paz, esperança.»

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A Célula Adormecida, por Luís Pinto.

Opinião retirada do blogue Ler Y Criticar, por Luís Pinto.

«Este é o quarto livro que leio deste autor e o primeiro fora da trilogia Freelancer. É também o melhor livro do autor, mas vamos por partes.

É bastante entusiasmante presenciar a evolução de um autor, e aqui foi exatamente o que aconteceu. Com este livro Nepomuceno deu um salto de dois degraus na qualidade de tudo o que é essencial a um livro. As suas personagens estão criadas de forma mais coerente e profunda, a narrativa está melhor montada, o suspense é maior e o enredo é mais coerente. Pelo meio o autor consegue dizer mais com menos palavras, sendo capaz de nos agarrar e ao mesmo tempo de nos ensinar algo.

Em termos de enredo é preciso dizer que o livro nos agarra de imediato. Ao sentirmos uma proximidade com a realidade, o livro capta a atenção do leitor e desde logo começa a explorar alguns temas atuais. Para isso é preciso realçar que o autor fez um bom trabalho de investigação, não só em termos factuais mas também no necessário para conseguir descrições realistas de alguns locais. 

Com capítulos pequenos e uma escrita rápida e direta, o autor nunca baixa o ritmo, e por isso nunca a leitura se torna arrastada. É fácil ler este livro, principalmente porque existem respostas que dão origem a novas perguntas. Assim o livro está em evolução constante. Claro que ao ter este género de escrita, o autor fica preso a um estilo que pode desvendar demasiado caso o leitor esteja atento. No meu caso, uma das revelações finais foi adivinhada a meio do livro, devido a um ligeiro desvio nesse ritmo. Todavia, o que me agradou no livro foi o facto de o autor não ter criado muitos momentos forçados. 

Gostei das personagens e da forma como o autor nos leva a entrar facilmente num contexto que alguns leitores poderão não conhecer totalmente. A guerra na Síria é apenas a base para um livro que começa como um
thriller sobre terrorismo e que, aos poucos, se transforma em algo mais psicológico. Pelo meio, política, muita religião, questões morais e um aprofundar inteligente de questões atuais, principalmente ao explorar a forma como nós, europeus, olhamos alguns problemas internacionais ou mesmo como catalogamos as pessoas e acontecimentos que nos rodeiam.

A Célula Adormecida foi lançado há uns meses e tem estado nos tops nacionais do seu género. Ao acabar de ler o livro, percebe-se o porquê. O autor executa bastante bem uma fórmula vencedora. Globalmente, não existe comparação entre os anteriores livros e este em termos de qualidade. O crescimento do autor é notável e acredito que o melhor ainda esteja para vir. Estou ansioso pelo próximo e acredito que quem gostar do género irá apreciar bastante esta leitura!»


Luís Pinto
lerycriticar.blogspot.pt

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Entrevista no Açoriano Oriental.

Saiu esta semana mais uma entrevista minha, desta feita concedida ao jornal regional Açoriano Oriental. Patrícia Carreiro, a jornalista que a redigiu, não se limitou a centrar na Célula Adormecida, mas em toda a minha carreira. Trata-se, assim, de uma excelente resenha dos últimos quatro anos e do que tenho a dizer sobre os temas abordados no meu último livro. Podem lê-la no artigo que apresento abaixo ou no Comunicare, o espaço online a que a Patrícia também se dedica.

açoriano oriental


Açoriano Oriental
por Patrícia Carreiro
12 de janeiro 2017

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A estranha calma de Istambul.

É com particular prazer que escrevo esta entrada. Não sei se já tinham reparado, mas a antiga secção de crónicas foi remodelada e chama-se agora Artigos. Isto porque a partir de hoje está multifacetada e irá conter textos de diversas naturezas. Não serão assim muitos, pelo menos, não por enquanto, pois o tempo é curto e há prioridades com que tenho de me preocupar, mas planeio, tal como anunciei há uma semana, apresentar aqui 3 novos artigos escritos por mim. O primeiro chama-se «A Estranha Calma de Istambul» e é sobre os atentados terroristas em geral e a forma como nós e outros lidamos com eles. Deixo-vos um pequeno excerto. O texto completo pode ser encontrado na respetiva página do site, que agora também se encontra disponível para partilha!

«
Regressava a Portugal após uma curta estadia em Istambul e a minha última manhã em solo turco ficara marcada pela visão dos helicópteros militares que patrulhavam o céu da antiga capital otomana. Lia-se Polis na fuselagem branca e azul e, tal como a inscrição, a missão era clara. O PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, acabara de executar mais um ataque. O alvo tinha sido a Avenida Istiklâl, um símbolo da modernidade do país, a qual havia visitado há apenas um dia. Várias pessoas estavam feridas, algumas mortas. A atmosfera efervescente da principal via comercial da cidade com que me deparei na altura perdera o brilho — vestira-se de luto.»

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Nos destaques de 2016 do BranMorrighan e com algumas surpresas em 2017.

Não me tenho andado a sentir muito bem, talvez devido ao cansaço que acumulei ao longo do ano passado. Por isso, todas as pequenas vitórias são motivo de celebração e alegria. Sofia Teixeira, autora do BranMorrighan, incluiu A Célula Adormecida nos livros que mais a marcaram no ano que nos deixou. Eis o que ela escreveu sobre a história do professor Catalão:

«O regresso de Nuno Nepomuceno foi estrondoso. Haja autor português que de repente tenha dado um salto de nos deixar abismados. A Célula Adormecida é um livro que merece toda a nossa atenção e destaque. Está bem desenhado, bem construído, coerente e marcante. A narrativa está bastante diferente da da trilogia anterior, mas a cinematografia mantém-se bastante forte. As temáticas são sensíveis, mas o autor arranjou maneira de serem também instrutivas. É uma obra com a qual aprendemos e desmitificamos uma série de coisas. Sobre o Estado Islâmico, sobre o terrorismo, sobre o que realmente acaba por motivar uma série de coisas. Hei de recomendar sempre e para sempre este livro.»

Happy Happy Happy

Apesar de a partir de agora o ritmo ter de abrandar um pouco (não posso promover o livro eternamente), há algumas novidades preparadas para breve, fruto do trabalho do outono. Não, não tenho um novo livro para apresentar. Trata-se apenas de alguns textos originais que já estão inclusivamente publicados, contudo não à mostra no
site, pois estou a aguardar o registo no IGAC por causa dos direitos de autor (nunca se sabe quem os irá ler e o que fazer com eles). Portanto, esperem três pequeninas surpresas para breve. Fiquem por aí. Winking
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