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Site oficial de Nuno Nepomuceno.

Pausa.

Substantivo feminino sinónimo de uma breve interrupção.

Ou pelo menos, essa é a intenção para as próximas semanas. Salvo algum imprevisto, irei fazer um pequeno intervalo na minha presença aqui e nas redes sociais. Tenho algumas coisas pensadas para a última semana de julho, que não passarão do habitual, e depois irei afastar-me durante algum tempo. Já escrevi sobre isto antes, se não me encontro enganado talvez em abril, mas acabei por não cumprir com a promessa. Foram surgindo novas opiniões aos livros, que gosto de partilhar, já que me têm posto no mau costume de serem sempre positivas, além de uma ou outra situação diferente, como a conferência na Universidade Lusófona (que acabou por ser adiada e está, ainda, sem data) e a recente entrevista que dei.

Não se trata de cansaço, nem sequer de vedetismo. Há um pouco do primeiro, sim, se bem que do segundo espero que não, mas essencialmente da necessidade de me concentrar no fecho do meu novo romance. Surgiram alguns leitores e amigos a perguntar por ele recentemente, aos quais respondi de modo algo furtivo, como passei a fazer depois da experiência que tive com a trilogia
Freelancer. Já fui incentivado a mostrar aquilo no qual me encontro a trabalhar, ao que disse: «Se as pessoas estiverem atentas, vão percebê-lo. Há pistas aqui e ali.». Mas gostaria de tranquilizar quem se encontrar mais ansioso. O livro está quase acabado. Julgo conseguir terminá-lo até ao fim de agosto e se tudo continuar como tem andado até agora, será um prazer e um orgulho fazê-lo. Falta-me redigir cerca de 20% da história e considero ter em mãos o meu melhor trabalho.

Este ano tem sido difícil, ao ponto de ter equacionado encerrar a carreira. Não me ando a sentir bem e há uma ligeira situação de saúde que surgiu recentemente que vou ter de analisar em pormenor, embora não me pareça ser nada de grave. Irei necessitar de fazer alguns exames e suspeito que esteja até relacionada com exaustão ou com uma grande gripe que tive em janeiro que poderá ter sido mal curada. O Kimi, que é um doce de cão e o melhor amigo que podia ter pedido, tem sido um desafio, já que revolucionou por completo a minha vida, incluindo as rotinas de escrita. Mas queria deixar claro que podem esperar um novo livro para breve. Não o será é em 2017. Foi decidido que a melhor estratégia para este seria colocá-lo em 2018, evitando os pesos pesados que já se perfilaram para a próxima época natalícia.

Quando regressar (prometo que o farei algures em setembro, sem grandes compromissos ou uma data definida), talvez possa falar mais abertamente sobre tudo o de novo que aí vem. Esperem um novo livro, entre outras coisas novas, e quem sabe um Nuno diferente, pois irá aproveitar esses mesmos meses de intervalo que se seguirão entre a conclusão e a edição do próximo romance para realmente descansar e recuperar. Será também nessa altura que este espaço deverá ser redesenhado, incluindo a minha imagem pública. Decidi entregar toda a gestão gráfica e de desenvolvimento a profissionais. Ainda não decidi se o vou fazer também em relação às redes sociais.

Portanto, aproveitem bem as férias para quem as tiver. E já agora leiam um pouco. Não custa nada e fica sempre bem a acompanhar o mar, a areia, o sol ou mesmo o campo.

Até daqui a algum tempo (depois da pausa, o substantivo feminino que é sinónimo de uma breve interrupção).
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Entrevista no jardim.

«Nós temos uma relação algo curiosa com o que fazemos. Julgamos sempre que é de qualidade inferior. O que nos chega de fora exerce um grande fascínio sobre o consumidor. Resta a esperança que, à semelhança da transformação que tem vindo a ocorrer noutros setores da cultura, o mesmo se venha a suceder com a literatura nacional.»

Nova entrevista, desta feita ao blogue
Jardim de Mil Histórias. Por Isaura Pereira.

Jardim de Mil Histórias - O Nuno é formado em Matemática. Como surgiu esta paixão pela escrita e por contar histórias?


Nuno Nepomuceno - Iniciou-se com a leitura. Por influência da minha mãe, que sempre me incentivou a isso, acabei por crescer acompanhado por livros. Os meus gostos foram evoluindo com a idade, claro. Recordo-me de ler coleções como Os Cinco, Os Hardy ou Uma Aventura, que me eram oferecidas pelo Natal ou que ia requisitar à biblioteca municipal. Gostava bastante de o fazer, de andar pela rua com os livros na mão enquanto ia e vinha.
Depois, quando passei a ser financeiramente independente, é que comecei a investir mais noutros géneros, como os
thrillers. Houve um momento a partir do qual, que não sou capaz de precisar com exatidão, em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado, ou seja, ter o poder de criar e manipular as personagens, entrando, assim, no imaginário do leitor. Hoje em dia é isso que me motiva mais — a possibilidade de suscitar emoções em que lê o meu trabalho.

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J.M.H. - A trilogia “Freelancer” teve um grande impacto nos leitores. Foi com a primeira parte, “O Espião Português”, que ganhou, em 2012, o Prémio Literário Note!. Estava à espera desse reconhecimento?

N. N. -
Eu já publiquei quatro livros e quer o processo, como os resultados que obtive, foram diferentes em todos eles. É difícil dizer se eu esperava ganhar um prémio revelação ou se aquele livro que eu tinha escrito durante oito anos se tornaria num sucesso comercial. Quando concorri, quis acreditar que sim, e quando O Espião Português foi colocado à venda, desejei-lhe o melhor. Mas nunca se sabe muito bem o que vai acontecer. O mercado livreiro não é tão previsível quanto possamos pensar e, por vezes, há surpresas, sejam elas boas ou más. Eu limito-me a ser otimista.



J. M. H. -  O seu mais recente livro “A Célula Adormecida” desperta-nos para uma hipótese de ataque terrorista em Lisboa. Hoje em dia é uma hipótese bem real. O que pretendeu com esta história?


N. N. - Tive dois objetivos, essencialmente. O primeiro foi provocar uma mudança na minha carreira. A trilogia Freelancer acabou por deixar uma marca algo inesperada, sobretudo, devido ao carisma do protagonista, e eu quis distanciar-me de tal, ou seja, mostrar ao meu público que sou um escritor com mais do que uma dimensão e, através disso, cativar outros leitores. Daí A Célula Adormecida ser um romance bem mais negro do que os anteriores que publiquei, assumindo-se claramente com um thriller psicológico e não tanto como um policial.

Por outro lado, desejava abordar um tema que julgo ser importante e que, infelizmente, começa a fazer parte da nossa vida diária. Os grupos terroristas têm muitas nuances, estando, por vezes, associados as outros fenómenos de forma mais ou menos direta. Foi assim também que surgiu a ideia de abordar temas fraturantes da nossa sociedade, que com o livro desejei colocar sob reflexão. Refiro-me aos movimentos migratórios, à instabilidade no Médio Oriente, ao extremismo e radicalização da Europa, entre outros. A mensagem final que tentei transmitir foi a de tolerância. Espero que tenha chegado aos leitores.


J. M. H. - Nota-se nos seus livros um grande rigor factual, histórico e social. Faz algum trabalho de investigação prévia?

N. N. - Sim, é algo que comecei a trabalhar logo com O Espião Português, mas que tem ganho preponderância em todo o meu processo criativo com o passar dos anos. Procuro ler sobre os temas que quero abordar, visitar os locais que escolho para a ação dos livros, entrevistar especialistas ou até mesmo viver parte daquilo que desejo descrever. Por exemplo, assisti a alguns serviços religiosos na Mesquita Central de Lisboa durante o ano em que dediquei à redação de A Célula Adormecida. E isso acabou por ser muito importante para mim, pois, enquanto estava lá sentado a observar em silêncio as pessoas que rezavam, as ideias iam surgindo naturalmente.

J. M. H. - Quais as suas grandes referências enquanto escritor?


N. N. - Em termos técnicos, não tenho ninguém. A escrita não é estanque e há certas formas de o fazer que aprecio e outras que nem por isso. Procuro escrever aquilo com me sinto confortável, incluindo as opções criativas que tomo, não embarcando em modas ou fórmulas que se dizem ser extremamente vendáveis na atualidade. Fora isso, há autores cuja carreira vejo como um exemplo e cujos livros me dão bastante prazer. Posso citar os casos de Ken Follet e Daniel Silva, se bem que existam outros. Já li excelentes obras fora do registo policial.


J. M. H. - Em que é se inspira para escrever?

N. N. - É um processo misto. Tanto pode vir de uma fotografia, como aconteceu com A Espia do Oriente, ou através de uma canção, como foi o caso de A Hora Solene. Ou até um livro, no caso do conto « A Cidade», com o qual integrei a coletânea Desassossego da Liberdade. Mas tento manter um espírito aberto e ser recetivo a novos elementos. Por vezes, as melhores ideias surgem de forma inesperada. De repente, estou a escrever e é como se os dedos tivessem vida própria. Há uma frase que surge sem ser planeada e que muda tudo.

J. M. H. - Ouvimos muitas vezes os autores afirmarem que o processo de escrita concentra-se em 90% de trabalho e 10% de talento. Concorda?

N. N. - Eu gosto de pensar que tenho algum talento. Se assim não fosse, não iria escrever, pois foi a vontade de mostrar aos outros o que considero ser capaz de fazer que me levou a começar, independentemente do muito ou pouco sucesso que viesse a ter. Mas tudo requer imenso trabalho e quando começamos um livro é bom que estejamos cientes de que não vai ser fácil. Se a memória não me falha, nunca escrevi um capítulo à primeira. Chego a revê-los quatro e cinco vezes e até a reescrevê-los constantemente ou mesmo deitá-los fora.



J. M. H. - Sente de alguma forma que a literatura portuguesa não é tão valorizada face à literatura internacional?
N. N. - Existe algum desfavorecimento, sim, mas que penso ter-se atenuado nos últimos tempos. Há autores portugueses que vendem mais em alturas muito críticas, como o Natal, do que os escritores estrangeiros. Espero que seja uma situação que tenda a continuar a evoluir de forma positiva no futuro. Pelo menos, o passado recente dá-nos alguma esperança nesse sentido. Há alguns anos, a ficção portuguesa debatia-se para competir com a norte-americana ou brasileira e hoje em dia lidera audiências. O mesmo tem vindo a acontecer com a nossa música. Nós temos uma relação algo curiosa com o que fazemos. Julgamos sempre que é de qualidade inferior. O que nos chega de fora exerce um grande fascínio sobre o consumidor. Resta a esperança que, à semelhança da transformação que tem vindo a ocorrer noutros setores da cultura, o mesmo se venha a suceder com a literatura nacional.


J. M. H. - Enquanto leitor o que gosta mais de ler? E o que não gosta de ler?

N. N. - Aprecio essencialmente thrillers e policiais, com algumas incursões felizes pela fantasia e romances históricos, mas ciente de que um bom livro deve ser lido e, portanto, com abertura para as surpresas que poderão surgir. E não tenho nenhum género, formato ou autor que me cause aversão. Ler faz parte da nossa vida. Precisamos de o fazer diariamente.



J. M. H. - Qual o livro da sua vida?

N. N. - Os Pilares da Terra, de Ken Follett, e Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Adoro as épocas históricas em que decorrem e admiro os autores pelo excelente trabalho que realizaram com os livros. O Estranho Caso do Cão Morto, de Mark Haddon, também é uma obra que me marcou muito, sobretudo, pela forma criativa e sensível com que explorou o tema do autismo.



J. M. H. - Para quem não conhece a sua obra, e no sentido de convencer o nossos leitores a ler os seus livros, qual deles define melhor a sua escrita?

N. N. - Esta é uma pergunta muito difícil. Todos eles são especiais para mim à sua maneira. Os primeiros porque não foi fácil publicá-los, além de terem exigido um esforço considerável para os escrever, já que não possuía qualquer experiência; os últimos porque traduzem melhor a pessoa que sou hoje em dia. Prefiro que sejam os meus leitores a decidir isso.



J. M. H. - Que projetos literários tem para o futuro?

N. N. - Neste momento, encontro-me a trabalhar em mais um thriller psicológico, que, apesar de ter alguns pontos de contacto com A Célula Adormecida, não será sobre terrorismo, embora envolva de novo uma grande dimensão cultural e religiosa, além de outros elementos que são transversais ao meu trabalho, como aventura, romance, espionagem e alguma ação.
Estou numa fase importante do livro, mas algo embrionária, ainda, razão pela qual não sei quando será publicado. Prefiro levar o meu tempo e regressar quando me sentir preparado, quando tiver a certeza de que este é o meu melhor livro até ao momento.


J. M. H. - Nuno, muito obrigada por esta entrevista.

N. N. - Eu é agradeço a oportunidade e convido todos os leitores a continuarem a passear pelas mil histórias do seu jardim.

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O Espião Português, por Isaura Pereira.

Opinião a O Espião Português, por Isaura Pereira, autora do blogue Jardim de Mil Histórias.

«Uma das muitas coisas boas que esta comunidade me trouxe foi ter a oportunidade de conhecer novos autores internacionais, mas também nacionais. Fico muito feliz por saber que a literatura portuguesa está no bom caminho e recomenda-se.

O Nuno é um bom exemplo disso. Depois de ter lido
A Célula Adormecida fiquei cheia de curiosidade de ler esta trilogia. E o Nuno teve a gentileza de me enviar exemplares para poder conhecer esta história e dar opinião no blogue.

Li-o de uma forma quase compulsiva. Este é o tipo de história e de escrita que gosto. Uma leitura agradável, com ritmo e, sobretudo, muito bem escrita. Nota-se o cuidado do autor na forma como dá rumo à história e na construção das personagens. 

Um livro que nos permite viajar por alguns locais da Europa que eu tanto gosto. Uma leitura perfeita para dias mais agitados e para o verão. Escusado será dizer que estou ansiosa para voltar a esta história com o próximo volume
A Espia do Oriente

Recomendo a todos. Não só aos que gostam de bons thrillers

Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt

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A Hora Solene, por Tita Rodrigues.

Opinião a A Hora Solene, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

Desde que tinha terminado o segundo volume - A Espia do Oriente - que estava muito curiosa para saber como o Nuno Nepomuceno iria concluir a história de André. Por outro lado, tinha alguma pena de me despedir de André, Anna e até do Kimi, daí ter esperado um pouquinho para o ler. Mas, lá está, a curiosidade era muita, pois o final de A Espia do Oriente deixa-nos muito, mas muito ansiosos.

Mais uma vez, nota-se uma evolução na escrita do Nuno, muito cuidada e acessível, e um bom ritmo, quer de ação mas principalmente de suspense. O Nuno conseguiu criar uma história bem equilibrada, com mistério, suspense, ação, mas também com um toque de romance. Outro ponto forte é a descrição dos locais e dos acontecimentos, tão vívidas, mas sem serem maçudas, e que tornam toda a leitura muito visual.

Gostei muito do modo como o Nuno nos deixa na expectativa, durante um ou dois capítulos, com acontecimentos marcantes, como acontece logo no início do livro, onde ficamos logo muito ansiosos.

Em termos de personagens, e apesar de simpatizar muito com o André, a minha preferida é Anna, e devo dizer que senti um pouco falta do protagonismo que encontrei em
A Espia do Oriente. Sim, a ação vai "saltitando" entre André, Anna e até Elena, mas achei Anna algo mais "apagada" (mas lá está, talvez seja impressão minha, por ser precisamente a minha personagem preferida). Uma outra personagem que gosto e que gostaria de ter tido mais protagonismo, é Anssi, pois acredito que tenha muitos conflitos interiores.

Uma excelente trilogia de espionagem, muito bem escrita e, ainda por cima, de um autor português. Um autor que é um querido e simpatiquíssimo para todos os seus leitores, com um carinho muito especial pelos
bloggers.

Por isso, se ainda não leram a Trilogia
Freelancer do Nuno Nepomuceno, do que é que vocês estão à espera? Leiam pois acredito que não se irão arrepender, pois foram três livros que me proporcionaram horas de leituras muito prazerosas, com personagens que me irão acompanhar.


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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Socorro, sou dono de um labrador!

Escrevo esta entrada com o queixo dorido e o nariz ferido. Tirei alguns dias para descansar e fui à praia numa destas tardes. Quando cheguei a casa, o meu labrador de dez meses resolveu saudar-me de uma forma bastante peculiar. Encontrava-se à minha espera, ordeiramente sentado à porta de sacada da sala, muito compenetrado, a ver quando é que eu tinha a ousadia de me aproximar. E assim foi. Abri a janela e baixei-me para lhe fazer uma festa. Não sei porque é que todos nós temos esta tendência, a de lhes afagar a cabeça e brincar com as orelhas, mas julgo cada vez mais que se trata de uma arma escondida que os cães reservam para momentos especiais, como o que descrevo a seguir, em que resolvem demonstrar toda a felicidade que sentem ao ver-nos chegar a casa depois de algumas horas de ausência. Baixei-me, de mão esticada repleta de ternura em direção ao canídeo, e fui cumprimentado por uma valente cabeçada no queixo. Ainda estava a recuperar do golpe e eis que ele me atingiu com um poderoso gancho de esquerda, dando-me uma pantufada no focinho.

Tem sido árdua, a tarefa de educar este jovem labrador. Logo eu, que gosto tanto tanto de ordem e sossego. Vivo numa vivenda fora da cidade com um pequeno jardim, que resolvi partilhar com o senhor cachorro. Acordo de manhã e deparo-me com a rega gota a gota desfeita em fanicos. É o meu novo
hobby, pacientemente voltar a ligar os tubos todos os dias. Não é que eu me queixe. Ele até se senta, dá a pata, rebola, mas, sobretudo, pula. Salta e pula como se tivesse molas nos pés, correndo atrás de mim, agarrando-se às minhas pernas, só para eu ficar a brincar mais um pouco com ele. Meu Deus, alguém dê um xanax ao cão, que ele faz aquilo que quer de mim.

Um destes dias, levei-o a passear à rua, coisa a que tenho procurado habituá-lo. Disseram-me que é saudável, tanto para ele, como para mim. Logo eu, que ultimamente, o único desporto que tenho disponibilidade para praticar é o do levantamento do garfo. Mas pronto, lá fui eu, de trela na mão, com o senhor cachorro muito direito, a
snifar tudo o que era flor, a mijar em todos os sítios e mais alguns. A sério, será que aquela bexiga não tem fim?

Entretanto, apareceu um casal de vizinhos com o filho pequeno pela mão. «Oh, que lindo», disse a mãe. «O gajo está mesmo giro», acrescentou o pai. «Olha, Pedro, faz-lhe uma festinha.» Orgulhoso do meu rapaz, cândido, lá resolvi aceder e aproximei-me com cuidado, o cão bem preso pela trela. Não é muito boa política agredir as crianças dos vizinhos. E de facto, confirmou-se. O Kimi começou a saltar, o puto assustou-se, e eu acabei no chão, estirado sobre o alcatrão, enrolado na trela do senhor labrador, que, ainda por cima, teve o desplante de se deitar ao meu lado, enquanto abanava o rabo em frente à minha cara e punha a língua de fora. Digo-vos, não é uma coisa agradável, o bafo de um cão deste tamanho.

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A Hora Solene, por Ana Beatriz.

Opinião a A Hora Solene, por Ana Beatriz, Dream Pages.

«A trilogia
Freelancer conquistou-me inteiramente com o primeiro volume, "O Espião Português". E, depois, li o segundo livro, "A Espia do Oriente", que, apesar das já elevadas expetativas, ainda me conseguiu surpreender. Podem, portanto, imaginar a vontade que tinha de ler "A Hora Solene" e descobrir o que mais poderia o autor fazer para me deixar boquiaberta, principalmente depois do final do segundo volume, que foi totalmente... inesperado. 

Estamos em Londres, numa fria noite de tempestade, e um homem é esfaqueado e abandonado à sua sorte em plena rua. Se isto, por si só, não fosse já surpreendente, ao mesmo tempo, um homem da associação terrorista O Gótico entrega-se voluntariamente, um avião sofre um atentado e é divulgado um vídeo que promete manter o mundo em suspenso durante alguns meses. Se fosse um outro livro, de um outro autor, poderíamos pensar que estes acontecimentos nada tinham em comum... mas não com o Nuno! Todos estes estranhos episódios estão, na verdade, conectados, e o elemento central é André Marques-Smith, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português e agente da Cadmo.

Mais uma vez, temos em paralelo a vida quotidiana do protagonista - o trabalho no Ministério, a convivência com os pais e com a irmã mais nova, as peripécias do seu cão - e a sua vida dupla, como agente da Cadmo, num mundo de espionagem em que nem tudo é o que parece, e em que nem sempre é simples aferir quem são os aliados e quem são os inimigos.

À semelhança dos livros anteriores, temos também capítulos que narram as linhas de ação de outras personagens, bem como toda a contextualização necessária para que não seja preciso reler segmentos dos primeiros volumes para entender o que está a acontecer. Neste livro, em particular, há ainda espaço para algumas reflexões sobre a ética, a família, o amor, a importância da vida humana e os valores implicados no campo científico. Gostei especialmente das questões éticas subjacentes ao uso da manipulação genética tendo em vista o aperfeiçoamento do ser humano.

De livro para livro, a evolução do autor é notável. Tudo nesta trilogia está tão magnificamente pensado, que é impossível não nos admirarmos com os pequenos detalhes que marcam a diferença. Como tenho vindo a referir, a escrita do Nuno é especial e agarra o leitor de tal forma que a leitura adquire um ritmo frenético, tornando-se compulsiva ao ponto de ser necessário um grande esforço para pousar o livro. Consegue transmitir as emoções das personagens para o leitor, conjugando tudo de forma tão maravilhosa que, quem lê, acaba por sentir-se realmente parte da história, de tão envolto que está neste mundo de intrigas e traições.

E o final é, mais uma vez, fantástico, embora desta vez de uma forma mais positiva (felizmente!). Nota-se a preocupação do autor em fechar todas as pontas soltas, pelo que encontramos respostas para todos os mistérios levantados ao longo dos primeiros livros.  O Nuno é o perfeito exemplo de que também temos escritores incríveis no nosso país, pelo que deveríamos apostar e dar mais apoio aos autores portugueses. Quero ainda agradecer-lhe pelas amáveis palavras endereçadas, tanto a mim como a vários outros
bloggers e youtubers, nos agradecimentos, bem como pela oportunidade de ler estes livros extraordinários.
"A Hora Solene" encerra com chave de ouro a Trilogia
Freelancer, onde dizemos adeus a um André mais forte, mais maduro e mais seguro de si. Em suma, esta é uma trilogia tão excecional que se torna difícil para mim falar sobre ela, pois sinto sempre que as palavras não chegam. Por isso, só vos peço: leiam! Tenho a certeza de que não se irão arrepender!»


Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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A Célula Adormecida, por Vanessa Santos.

Opinião a A Célula Adormecida, por Vanessa Santos, Livros de Vidro.


«Devemos salientar o estudo do autor.
Epá Nuno, - permitam-nos a expressão - que estudo. Nota-se claramente um bom suporte, uma limpeza na matéria, um filtro, uma explicação, uma exposição sem, no entanto, ser em demasia, sem ser maçador. Devemos até dizer que nos permitiu conhecer mais sobre o assunto, afastando-nos do empolamento das redes sociais, dos media, da opinião pública, à semelhança dos anteriores livros. Mais uma vez o autor traz um trabalho bem conseguido em termos de estudo e estrutura. O que muito nos deixa felizes por ver autores portugueses com tamanha qualidade.
 
Já sabem que não falamos da história em si, não é para isso que aqui estamos. Mas apenas vos fazemos chegar a nossa perspetiva quanto ao que lemos. E, bem, para quem acha que está diante de mais um romance, de mais do mesmo, de "finais felizes", esqueçam!
 
Nuno traz a verdade dos atentados terroristas, habilmente nos transporta para o mundo muçulmano, para as suas crenças e mais uma vez temos um livro com Acão. Uma e outra vez demos por nós a pensar "não pode ser, outra vez"? Pois é, não sabem o que vos espera ao ler este livro. Não esperem bombas a rebentar por todos os lados, porque não, não se trata "só" disso, há toda uma dimensão que o autor vai buscar que torna o livro mais rico. Viajamos muito além das bombas e conspirações.
 
Em certa medida poderá ser chocante, não que descreva cenas horríveis, mas porque descreve cenas que são reais e que não podemos virar a página e pensar "só nos livros". Porque não, acontece. Incomoda, mas acontece.
 
Não se trata apenas de um livro de ficção, romance, policial, enfim, o que lhe queiram chamar. Trata-se de um "abre olhos". Um safanão que nos dá.
 
Mas, também temos de analisar a parte "restante" toda a trama, além do tema em si.
 
Pois bem, há algo que já na altura da trilogia nos fez confusão, mas não mencionámos porque podia ser mania nossa, mas desta vez temos de dizer, os nomes das personagens são muito, demasiado, pomposos. Até custa a crer que alguém os use assim constantemente. Não simpatizámos com os nomes dos personagens, os portugueses. Bastava, ao longo do texto, pelo menos para as principais, ir usando o primeiro nome, tornava tudo mais pessoal com o leitor. Fica o nosso apontamento.
 

Depois temos o personagem principal, Afonso Catalão, bem, não criámos empatia com ele. Talvez por ter uma carga negativa sobre ele, por parecer sempre cabisbaixo, sim é assim que o vemos, magro, ligeiramente curvado, com olheiras, expressão fechada. Embora ao longo da trama se perceba tudo o que o envolve pensamos que faltava ali qualquer coisa que nos fizesse ligar ao personagem. Faltou o elemento empático, mas até podia ser essa a intenção do autor.
 
Mas não pensem que isso vos faz largar o livro. Porque não. Há demasiadas coisas a acontecer que, no fim, se ligam com uma perfeição que parece impossível.»
 
 
Classificação:
 
- Escrita: 10
- História: 9,7
- Revisão do texto: 9,8
- Complexidade: 9
- Trabalho gráfico: 7
 
Total: 9,1
 
0 - Péssimo
1 a 3- Muito Mau
4 a 5- Mau
6 a 7- Satisfatório
8- Bom
9 - Muito Bom
10 - Excelente!


A Célula Adormecida
Vanessa Santos
livrosdevidro.wixsite.com

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A Espia do Oriente, por Ana Beatriz.

Opinião a A Espia do Oriente, por Ana Beatriz, Dream Pages.

Depois de um primeiro volume absolutamente fantástico, parti para este segundo livro com expectativas elevadíssimas, mas também com algum receio de estar a colocar demasiada pressão sobre esta leitura. Contudo, o autor construiu a ação de uma forma tão excecionalmente fantástica, que ainda me conseguiu surpreender!

Como o nome indica, este volume divide a atenção entre André - o nosso espião favorito e protagonista de
O Espião Português - e China Girl - uma personagem misteriosa que conhecemos ainda no primeiro volume, mas que ganha relevante destaque nesta segunda parte. Ao longo do livro, vamos desvendando a sua história, os seus motivos e motivações, as adversidades e os obstáculos que a vida lhe impingiu e que a tornaram na pessoa que é hoje.

As revelações chocantes que marcaram o final do primeiro livro tomam continuidade em
A Espia do Oriente, mas a ação é agora dividida em vários planos. Revemos o André, que está a tentar lidar com a sua nova condição, mas que não consegue perdoar os pais por lhe terem mentido durante toda a sua vida; a misteriosa China Girl, que talvez não seja bem o que parece; e depois temos os membros da Dark Star, a organização terrorista que pretende apropriar-se do projeto Lebodin - um projeto de manipulação genética criado por um cientista russo.

A evolução do autor é notória em todos os aspetos: no amadurecimento da escrita, na construção e no contexto das personagens, nas reviravoltas surpreendentes e nas revelações, feitas exatamente no momento certo e, acima de tudo, no suspense magistralmente conseguido. O livro é muito rico nas descrições físicas e psicológicas, realizadas na perfeição, que têm a capacidade de envolver o leitor no clima vivido pelas diversas personagens. Os diferentes planos de ação cruzam-se e interligam-se complexamente, criando uma ação interessante e viciante, e levando o leitor a temer constantemente pela vida das personagens. Além disso, o Nuno consegue transmitir realmente os sentimentos e as emoções experienciadas pelas diversas personagens, o que acaba por ser bastante engraçado, pois, por diversas vezes, dei por mim realmente revoltada com algumas situações, como se estas tivessem acontecido comigo.

Enquanto que o primeiro livro tinha um caráter mais policial, este segundo assemelha-se já a um thriller, o que pode tornar a ação um pouco mais lenta, mas, em contrapartida, consegue mexer mais com a cabeça do leitor. E isso acontece, de facto, à medida que vamos mergulhando nas maravilhosamente entrelaçadas teias de acontecimentos que compõem esta trilogia e vamos descobrindo o passado ao acompanharmos o presente das personagens.

 E, quando pensamos que não é possível voltarmos a ser apanhados de surpresa - depois de tantas coisas fantásticas terem acontecido, é normal pensarmos isso -, eis que nos é provado exatamente o contrário! A verdade é que nem tenho palavras para descrever o final! É um desfecho tão inesperado, arriscado e surpreendente, que deixa o leitor completamente em suspenso, num misto de ânsia, pânico e excitação, temendo pelo que mais poderá acontecer.

A Espia do Oriente continua uma trilogia simplesmente maravilhosa e cativante, com personagens muito reais e complexas, e com uma história que agarra completamente desde o primeiro capítulo. Com ingredientes de um bom thriller - muito perigo, mistério e ação -, aliados à narrativa da vida familiar e das relações interpessoais, esta é uma história com grande consistência que, se não bastasse prender-nos completamente e mexer connosco a um nível bastante profundo, ainda nos leva a visitar interessantes monumentos e sítios emblemáticos de vários países. A única coisa que posso dizer é que, realmente, adorei e recomendo a toda a gente!


A Espia do Oriente
Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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Palestra adiada.

É com alguma deceção que escrevo esta entrada. Recebi hoje, terça-feira, dia 16 de maio, informação por parte da Universidade Lusófona que a minha palestra agendada para a próxima quinta-feira, dia 18, teria de ser adiada. A decisão não foi minha, tal como acabei de explicar, pois tinha tudo a postos para me apresentar, mas sim devido ao calendário da faculdade, que organizará um congresso internacional na próxima semana, seguindo-se as jornadas do cristianismo no início de junho.

A Universidade Lusófona comprometeu-se a reagendar a minha palestra para o próximo ano letivo, em data a anunciar depois do verão. Peço desculpa a quem já tinha feito planos para comparecer, mas, tal como escrevi no primeiro parágrafo, não sou responsável pelo adiamento. Terá de ficar para outra oportunidade.

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O senhor orador.

Já antes aqui tinha escrito sobre ela, mas agora, que se avizinha, está na altura de relembrar que irei dar uma palestra na Universidade Lusófona no próximo dia 18 de maio, às 18h30m.

O tema será a tolerância e convivência inter-religiosas, com algum espaço para discutirmos
A Célula Adormecida no fim. Estive em algumas escolas durante o ano de 2016, onde apresentei a trilogia Freelancer aos alunos, mas desta vez o conceito será algo diferente. Irei abordar o tema durante cerca de 20 a 30 minutos, seguindo-se dois vídeos: um excerto de uma entrevista concedida pelo Sheikh Munir à RTP e a que eu dei à Sic Notícias. Os momentos finais serão para uma sessão de perguntas e respostas. Como o Islão ocupará parte de palestra, espero que me coloquem bastantes questões.

Portanto, quem desejar comparecer, será, obviamente, bem-vindo. Termino a entrada com o cartaz produzido pelo Instituto de Cristianismo Contemporâneo da Universidade Lusófona e uma fotografia da apresentação que levarei à palestra. Desejem-me (boa) sorte. Happy

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A Espia do Oriente, por Tita Rodrigues.

Opinião a A Espia do Oriente, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

Este é o segundo livro da trilogia Freelancer, mas que pode ser lido de forma independente, pois, sempre que é necessário, o Nuno faz vários enquadramentos/resumos dos acontecimentos de O Espião Português. De qualquer modo, e como leitora, recomendo que leiam os livros por ordem e assim vivam mais intensamente a vida de André Marques-Smith, funcionário do MNE e espião ao serviço da Cadmo.

E ao contrário do primeiro livro, mais centrado na vida de André, em
A Espia do Oriente vamos conhecendo melhor a vida e passado de China Girl, a misteriosa espia da Dark Star, mas também Monique.

Se já tinha gostado bastante do primeiro livro, este segundo deixou-me completamente colada. Temos várias histórias no enredo que captam a nossa atenção, tornando-o ainda mais rico, sempre com uma boa dose de perigo e ritmo e sempre com aquela sensação de "em quem confiar?".

As personagens são outra mais-valia do livro. O Nuno torna-as tão humanas e reais, com os seus medos, inseguranças, sentimentos. Se já tinha gostado do André, posso-vos dizer que China Girl não lhe fica mesmo nada atrás, mas prefiro que sejam vocês a descobrir mais sobre esta mulher.

Nota-se também uma clara evolução do Nuno enquanto escritor. Não só pelo enredo mais denso e com mais pontos de interesse, mas também pela própria escrita, que está ainda melhor, com parágrafos mais longos e descrições mais envolventes e ricas. Digo-vos, o Nuno escreve mesmo muito bem!

E não pensem que neste livro só temos ação e mais ação; cenas com ritmo alucinante. Temos também algumas mais leves e pautadas com uma boa dose de humor, nomeadamente com uma personagem algo peculiar, a Diva Winking

E o final? Absolutamente fabuloso e que nos deixa completamente ansiosos por pegar no último volume. E acreditem, não vai demorar muito tempo a pegar n'
A Hora Solene, pois estou muito mas muito curiosa para conhecer o desfecho desta magnifica história.

Tal como os outros dois livros que li do Nuno (
A Célula Adormecida e O Espião Português), este foi mais uma leitura compulsiva, que me deixou sempre agarrada ao livro e sempre que terminava um capítulo pensava "só mais um".


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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A Célula Adormecida, por Isaura Pereira.

Opinião à Célula Adormecida por Isaura Pereira, autora do blogue Jardim de Mil Histórias.

«Quem me conhece sabe que gosto de thrillers, mas não de qualquer um. Sou um público difícil nesse género. Gosto de histórias bem escritas, credíveis e, sobretudo, bem fundamentadas. Tudo isto encontrei no livro A Célula Adormecida. Uma escrita impecável, um enredo interessante e personagens que nos envolvem. 


Quando leio, gosto de sonhar, mas também gosto de aprender. De sentir que o autor não só se preocupou com a ficção, mas com os factos reais da história. Toda a investigação e fundamentação que a história apresenta é notável. 


Um livro que fala da sociedade fragilizada em que vivemos, em que os valores da vida humana estão a morrer. Uma história de ficção, mas um retrato tão real que arrepia. Uma escrita elegante e real.


Foi uma leitura compulsiva, que naturalmente recomendo.»



Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt

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O Espião Português, por Tita Rodrigues.

Opinião ao O Espião Português, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

«Como opinar sobre O Espião Português sem revelar demasiado? Tarefa difícil, mas vou tentar...

O nosso protagonista é André Marques-Smith, que é o jovem diretor do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e também um espião da Cadmo, uma agência de espionagem semigovernamental.

Agradou-me imenso esta vida dupla de André. Por um lado, temos o dia-a-dia normal de um funcionário do MNE, com a sua família, os seus dilemas e inseguranças. Por outro, temos as missões ao serviço da Cadmo, sempre perigosas e com cenas capazes de nos deixar "o coração nas mãos".

Outro aspeto que me agradou foi, ao longo do livro, ter várias referências literárias, musicais e até de programas de TV. Estes detalhes fazem-me sentir que as personagens e as suas vidas são reais.

Além de uma história cheia de ação, temos também vários mistérios e surpresas, quer ligados às missões, como também diretamente relacionados com André, mas que não vou desvendar para não vos estragar a leitura.

Quanto a personagens, e apesar de André ser a principal, houve uma muito especial que me cativou logo no primeiro momento. O Kimi! Impossível ficar indiferente, é tão fofo!

O livro, e apesar de ser o primeiro do autor, tem uma escrita fluída, com uma história com bastante ritmo, que nos faz querer virar página atrás de página. E como primeiro volume de uma trilogia, deixa-nos várias questões no ar, deixando-nos em pulgas pela continuação.

O Espião Português é um bom livro de espionagem, de um jovem autor português, com um bom ritmo de ação e uma boa dose de mistério que, estou certa, vos irá proporcionar uma leitura muito prazerosa.»


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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O antissocial.


Por motivos que prefiro manter privados, coloquei a forma como faço a gestão das minhas redes sociais e o conteúdo/
design do meu site oficial sob o escrutínio de profissionais da área. Os resultados não poderiam ser mais desanimadores, uma vez que, de acordo com essas pessoas, estou a fazer (quase) tudo mal. O site não gera tráfego além daquele que vai diretamente à minha procura e as entradas que faço no Facebook, Instagram e afins aparentam não ter uma estratégia por trás.

Estas observações não deixam de ter a sua pertinência. Sou um escritor, não uma estrela
pop. Portanto, não se pode esperar uma grande legião de seguidores (a menos que compre pacotes de likes, coisa que prefiro não fazer) e, como eu referi na reunião, eu posso não ter muitas pessoas comigo, mas as que tenho são fiéis, compram os livros e interagem. Por outro lado, quando me comparo com outros colegas que, ao que me parece, têm resultados inferiores aos meus nas livrarias, mas são efetivamente mais populares nas redes sociais, não deixo de admitir que a conclusão foi bem tirada. Eu ando mesmo a fazer algo de errado.

Já antes aqui escrevi sobre isto, acerca do muito que posso ter para dizer/ partilhar e que, todavia, escolho não tornar público. Tenho uma opinião sobre o que se passa à minha volta. A minha vida é uma complicação tão grande, que dava uma novela em pequenos capítulos no Twitter. E almoço, vou à praia, entre outras muitas coisas que poderia mostrar. Mas será que é mesmo isto que as pessoas querem? Há uma necessidade de ver assim tanto de mim?

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A Célula Adormecida, por Cláudia Pacheco.

Opinião por Cláudia Pacheco, Encruzilhadas Literárias, à Célula Adormecida.

«"A Célula Adormecida" não deixa de ser um livro atual, nem pode deixar de o ser, atendendo ao mundo em que vivemos hoje. Arrisco-me a dizer sem medo que este terá sido também um fator de peso para todos os que adquiriram o livro nestes últimos meses. Ninguém quer imaginar o que seria ver/acontecer tragédias que já se perpetuam em outros destinos europeus neste nosso canto ao mar plantado. Mas ainda assim, o fator risco e a possibilidade que infelizmente nunca poderemos descartar, leva a que um quase voyeurismo que nos imerge nesta necessidade de pensar nos "e se?" e "como faríamos no caso de?".

Considero também uma leitura necessária, cada vez mais, numa lógica de desmistificação de conceitos, preconceitos e estereótipos, para o bem de todos os que pretendem viver numa sociedade mais sã e sadia, de pensamento e de vivências. Não é de todo um livro pregador, mas a clarificação de acontecimentos, momentos, práticas religiosas, incursões culturais e muito mais, são tentativas claras de separação do trigo do joio e de elevação moral com a qual concordo e defendo, ainda que por vezes se caia na falácia de abordar uma situação complexa como exemplificativa em dois extremos ideológicos, esquecendo-se do espetro multifacetado e diversificado existente entre ambos. Ainda assim, julgo que foi uma abordagem propositada, especialmente numa época em que todas estas questões são sensíveis e essa exigência de separação de conceitos e procedimentos muitas vezes tão confundidos pela opinião pública era preponderante e necessária para abordagens que vão para além da leitura e que contribuem para questões de cidadania.

Dito isto, vamos voltar-nos para o enredo. Quando li a sinopse, imediatamente veio-me à mente um filme que tinha visto há largos anos, chamado precisamente "A Célula", com o Denzel Washington e a Annette Bening. Cedo me apercebi que tinha de limpar a mente e esquecer-me do enredo associado ao filme em causa para desfrutar da trama.

O autor já nos habituou ao seu estilo de narrativa: descritivo, indutor, com muita ação e capacidade de criar reviravoltas que surpreendem o leitor mais desatento. Estão também feitas para não serem desvendadas, ainda que um olhar mais acutilante chegue lá com alguma precisão. Mesmo sem um volte face constante, a narrativa prende, atendendo à rapidez dos acontecimentos e também à sua colocação espácio-temporal restrita e bem definida.

Gostei da adrenalina que proporcionou, sendo uma leitura rápida, fácil e bem conseguida, que mistura as doses certas de ação e secretismo, momentos-chave que criam elementos de andamento acelerado na história e uma série de tramas paralelas que contribuem para o enredo original (e que por vezes se interpelam, de forma a que quando algo novo ocorre em alguma delas, existe sempre um elemento de superação).

Quanto à trama principal (ou aquela que vou tomar como principal), gostei da personagem de Afonso Catalão e das suas várias dimensões, embora tenha ficado desiludida com o grande segredo que socorre este homem, uma vez que contava com algo mais original e diferenciado dos romances anteriores do autor.
 
As caracterizações desta célula adormecida foram bem fundamentadas, plausíveis e capazes de gerar discussão, que é essencialmente o que a narrativa pede. Não me senti muito confortável com os mecanismos de ignição das suas demonstrações públicas, porque na sua maioria foram todas rápidas, simplificadas e bastante semelhantes, e dado todo o tratamento cuidado ao longo do livro assim como a natureza sensível da narrativa, pareceu-me uma resposta demasiado fácil para os acontecimentos. Especialmente quando a fórmula de cativação se supõe a mesma para todos os membros, gerando algumas situações menos bem conseguidas no meu entender.

Senti também que por vezes surgiram alguns elementos que não me eram muito lógicos e que perfaziam o número somente para dar o salto estratégico para o avanço da narrativa, mas foram situações tão pontuais e menores que nunca estragaram a experiência de leitura. 

Olhando para trás agora após tantos meses, suponho que um dos fatores que mais me entusiasmou e manteve agarrada à narrativa é a fórmula que o autor utiliza, e que por vezes me faz lembrar o Dan Brown (não porque sejam iguais, mas porque julgo que os seus fãs se sentiriam bastante confortáveis em ler os livros do Nuno Nepomuceno quando em busca de algo do mesmo género): um
thriller onde há vários planos de ação, todos desvendados por camadas e perante a superação de obstáculo a obstáculo, com inimigos ocultos, romances algo inesperados que surgem por força de situações extremas onde só a confiança e a cumplicidade poderão salvar as personagens em perigo, uma eminência na temática principal que interliga de uma forma ou de outra todos os intervenientes da narrativa e uma série de informação didática, importante, com capacidade de ensinar sem ser cansativa e aparecendo com esmero quase como se não fosse sua intenção estar presente, mas que não nos abandona a mente durante toda a narrativa.»


Cláudia Pacheco
Encruzilhadas Literárias

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A Célula Adormecida. Por Cristina Rodrigues.

Opinião por Cristina Rodrigues, Sinfonia dos Livros, à Célula Adormecida.

«Mesmo antes do lançamento de “A Célula Adormecida” que já tinha ouvido falar bastante do Nuno e da sua trilogia “Freelancer”. Muito boas críticas que me ficaram em mente e com uma certa curiosidade em ler um dos trabalhos do Nuno. “A Célula Adormecida” foi uma leitura, no mínimo, brilhante e que fez jus a todas as críticas que tive a oportunidade de ler!

“A Célula Adormecida” inicia-se com dois acontecimentos marcantes que iriam toldar o futuro do nosso país: o recém-eleito primeiro ministro acaba de se suicidar e um bombista suicida acaba de detonar uma bomba num autocarro em plena capital. Rapidamente se alastram a opiniões de que o autoproclamado Estado Islâmico está por detrás do ataque suicida que vitimou algumas pessoas que se encontravam por lá perto. Contudo, fica uma questão no ar: estará o suicídio do recém-eleito primeiro ministro de alguma forma ligado ao ataque bombista ou terá sido apenas uma mera coincidência?

Afonso Catalão é atualmente professor universitário e especialista em Ciência Política e Estudos Orientais e, por isso, a melhor pessoa aos olhos de muita outras que poderá dar algumas respostas a todas as questões que se levantaram após aqueles dois acontecimentos. Devido ao seu tão caprichado currículo, Afonso Catalão colocado na ribalta, dá uma entrevista, expondo o seu ponto de vista para tentar explicar o que esteve na origem de tais horríveis acontecimentos. Mas Afonso terá um papel bem mais importante em toda a história do que se poderá pensar, pois, também ele tem segredos e um passado em que esteve bastante ligado à cultura islâmica. Mesmo vivendo em Portugal, Afonso frequenta a mesquita, é um grande amigo do imã e de uma família de refugiados que veio para Portugal com o intuito de fugir à guerra que fustiga diariamente o seu país.

Desde os primeiros capítulos que as entidades competentes e encarregues do caso do bombista suicida alertam para a possibilidade de estar em Portugal uma célula terrorista que poderá estar por detrás daquele acontecimento horrível. E, mais uma vez, Afonso Catalão é solicitado para ajudar nas investigações!
Desde muito cedo que o Nuno foi capaz de criar uma ligação fortíssima entre cada uma das personagens e o leitor! Apesar das muitas diferenças que possam existir e que tornam cada uma das personagens únicas, fui incapaz de não me ligar a cada uma delas de uma forma única!

Afonso é um homem que vive diariamente atormentado pelo seu passado, mas isso nunca o impediu de lutar por aquilo que acredita ser o mais correto. Diana Santos Silva, uma outra personagem muito importante para todo o desenrolar da história, é uma mulher cheia de vida e garra! Apesar da personalidade forte que transmite, Diana também vive com os seus demónios que apenas conhecemos lá mais para o meio da história! No entanto, mesmo com todos os obstáculos que Diana tem de ultrapassa, o seu trabalho é exemplar!

Por outro lado, ainda há a Sarita, filha da família refugiada amiga de Afonso Catalão. Sarita é uma jovem menina cheia de vida! Apesar das dificuldades que enfrenta na escola devido à sua religião, Sarita nunca desistiu de viver e nunca deixou que isso lhe tirasse o sorriso. Foi por isso que Sarita me marcou tanto! Apesar do final triste de Sarita, senti que ela deixou uma mensagem bem clara e que marca realmente o leitor!

A narrativa de “A Célula Adormecida” pode ser extensa, mas todos os acontecimentos que se passaram são importantes, cada um à sua maneira! E neste aspeto acho que o Nuno fez um excelente trabalho! A forma como todos os acontecimentos se interligaram e se complementaram foi muito bem pensada e trabalhada! É percetível que o Nuno fez um trabalho brilhante no que diz respeito à pesquisa mais direcionada para o autoproclamado Estado Islâmico e sobre a cultura islâmica! E todo esse trabalho resultou numa obra exímia!

O culminar de toda a obra foi brilhante! Apesar de suspeitar de que fossem acontecer certas coisas, nunca me passou pela mente que outras fossem, de facto, acontecer também! E é isso que este livro tem de magnífico! O Nuno soube exatamente a forma e o momento certos para que algumas coisas acontecessem! Este é, sem dúvida alguma, um livro que recomendaria a qualquer pessoa! Uma narrativa excelente, com personagens cativantes e acontecimentos marcantes! Uma leitura fantástica!»


Cristina Rodrigues
sinfoniadoslivros.blogspot.pt

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Autorização de saída!

Estive recentemente em Israel, nomeadamente em Jerusalém, onde passei alguns dias de férias. Quem me segue nas redes sociais viu algumas das fotografias que partilhei. Para os restantes, deixo aqui uma pequena reportagem sobre a Terra Santa. Recomendo vivamente.

No 1º dia fiz uma pequena passagem pelo Cardo, o mercado romano, antes de ir ver o Muro Ocidental e o Monte do Templo.

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Não há local mais sagrado para um judeu do que o Muro Ocidental. Exatamente por cima, encontra-se a Esplanada das Mesquitas e a Cúpula do Rochedo. Jerusalém é a 3ª cidade mais importante no Islão, logo depois de Meca e Medina.

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Foi também em Jerusalém que Jesus foi crucificado e percorreu a Via Sacra até ao local da crucificação.

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No 2º dia foi altura de visitar os mercados da cidade. Com 3 bairros, o judeu, o muçulmano e o cristão-arménio, as oportunidades para o negócio são mais do que muitas. O Portão de Jaffa dá acesso a um dos mais movimentados.

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A cidadela, também conhecida por Torre de David, é um museu a céu aberto. A Torre de Faisal proporciona vistas deslumbrantes sobre a cidade e à noite há até um espetáculo multimédia sobre a história do país.

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O 3º dia foi dedicado à Igreja do Santo Sepulcro, o local onde Jesus foi crucificado e sepultado. De tarde, seguiu-se o Monte das Oliveiras. Daniel Silva diz que me cruzei com Gabriel Allon a caminho do hospício onde Leah está internada. Winking

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Houve ainda tempo para mais uma visita ao Muro Ocidental e conhecer o Museu de Israel.

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E chegou o dia das despedidas. O adeus foi dado em Telavive, com um pequeno passeio na marginal.

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Termino com uma pequena recordação que trouxe dentro do passaporte. As autorizações de entrada e saída de Israel. Happy

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A Célula Adormecida, por Cristina Gaspar.

Opinião retirada do canal no YouTube sobre livros e cerveja artesanal:



Cristina Gaspar
Books and Beers

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A Célula Adormecida, por Maggie Reis.

Opinião retirada do blogue Maggie Books, por Maggie Reis.

«Se me disserem que nunca ouviram falar deste livro, ficarei muito espantada. Está nos destaques das livrarias por todo o país, toda a gente fala dele, imensos blogues já publicaram as suas opiniões... é mesmo uma loucura! E há uma explicação lógica para tudo isso. Este livro é... espetacular! 

Já tinha curiosidade em ler um livro sobre o
Daesh há imenso tempo, tenho pegado em alguns livros sobre o assunto e finalmente tive a oportunidade de ler um. 
Infelizmente gostava que fossem discutidos mais factos históricos sobre a Síria e o tormento que o seu povo tem vivido. No entanto, tenho noção de que para tal o livro teria de ser muito maior do que já é. Sendo uma obra de ficção não posso desejar que contenha demasiados detalhes históricos. 

Esta é uma excelente obra de ficção e vou recomendá-la a todos os meus amigos e família.  Adorei cada página e gostava de ter tempo para o voltar a ler no futuro. 

As personagens são maravilhosas ao ponto de sentir uma empatia quase que palpável por algumas delas. Fantástico! Vou recordar a Sarita e o Professor Afonso Catalão para sempre. O enredo está muito bem construído e adorei ver como todas as coisas se iam interligando. A forma como as personagens interagiam umas com as outras... é muito cativante de ler. Principalmente as conversas entre Afonso e Diana.  

Normalmente não me impressiono com facilidade, mas tenho de admitir que fiquei realmente surpreendida com o desfecho da história



Maggie Reis
Maggie Books

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De férias.

Mais de 4 meses passados sobre a publicação da Célula Adormecida, julgo ser apropriado fazer aqui um pequeno balanço sobre o percurso do livro e o impacto que tem tido na minha carreira. Tentarei não me alongar, mas irei também dar conta do que está, para já, previsto para os meses que ainda estão por vir.

O sentimento é extremamente positivo. A noção que tive é que
A Célula Adormecida constituiu, para mim, o livro certo na altura adequada. O esforço foi grande. Eu terminei A Hora Solene no fim de Agosto e sentia-me particularmente saturado de tudo por volta do Natal de 2015. Ter regressado apenas 11 meses depois da conclusão da trilogia Freelancer foi não só uma prova que dei a mim mesmo sobre a minha capacidade de trabalho, como se revelou estrategicamente certo. As livrarias acolheram o livro de forma excecional, fazendo-me acreditar que ainda há esperança, de que o esforço que comecei a fazer há mais de 15 anos, quando elaborei o primeiro esboço daquilo que se viria a transformar no Espião Português, não está a ser em vão. Muito ou pouco, tem existido crescimento. Por exemplo, A Célula Adormecida conseguiu aquilo que nenhum dos volumes da trilogia havia atingido — ser n.º 1 dentro do seu próprio género na Wook e Fnac. Recordo que eu já tinha liderado estas contagens antes, mas apenas com edições eletrónicas. Tê-lo alcançado em papel foi inédito para mim e particularmente saboroso. Sobretudo, porque foi um passo em frente. E é nesse sentido que desejo continuar a caminhar.

Outro aspeto positivo é que, de uma certa forma, os meus livros andam a puxar uns pelos outros. Por exemplo,
O Espião Português está em subida na Wook, onde se posicionou à entrada do top 20, apenas 4 lugares abaixo da Célula Adormecida, que entretanto tem caído um pouco. O mesmo não está a acontecer na Bertrand. É o atual vice-líder dos thrillers desta cadeia livreira, atrás do eterno A Rapariga no Comboio. É possível que quem esteja a ler esta entrada o desconheça, mas a verdade é que hoje em dia, tendo em conta as especificidades do mercado, calcula-se que o período de vida de um livro em Portugal (exceção feita aos grandes best-sellers) ronde as 8 semanas. A partir daí, é velho.

Estes são apenas factos, coisas que pertencem ao passado. O futuro vem aí e será necessariamente mais pausado do que os (turbulentos) últimos tempos. Dei por mim a conversar há poucos dias com uma pessoa e a dizer que «este ano ainda agora começou e eu já estou farto dele». Não costumo entrar em pormenores sobre a minha vida pessoal, mas o azar tem andado a bater à porta, isso é irrefutável. Uma semana inteira com 39º de febre e um acidente com o carro são insignificantes no meio de tudo o de mau que já aconteceu.

Por isso, o ritmo irá ser mais brando nos próximos tempos. As entradas aqui passarão a ser menos regulares, embora vá tentar escrever pelo menos 2 ou 3 por mês até ao fim da primavera. E dentro de uma semana irei mesmo tirar uns dias de férias. Espera-me uma viagem de mais de 6 horas com uma escala a meio (para ser mais barato), mas como irei colocar uma ou outra fotografia
online, escondo para já o destino, prometendo revelá-lo na altura.

Termino com essa promessa e com algo que me deixou bastante orgulhoso quando recebi o convite e que, de uma certa forma, também ilustra a tal progressão mencionada no início desta entrada. Aqui deixo o cartaz da Universidade Lusófona. Sim, sou mesmo eu o orador no dia 18 de Maio. Happy


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