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Archives for Apr 2017 | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Célula Adormecida, por Isaura Pereira.

Opinião à Célula Adormecida por Isaura Pereira, autora do blogue Jardim de Mil Histórias.

«Quem me conhece sabe que gosto de thrillers, mas não de qualquer um. Sou um público difícil nesse género. Gosto de histórias bem escritas, credíveis e, sobretudo, bem fundamentadas. Tudo isto encontrei no livro A Célula Adormecida. Uma escrita impecável, um enredo interessante e personagens que nos envolvem. 


Quando leio, gosto de sonhar, mas também gosto de aprender. De sentir que o autor não só se preocupou com a ficção, mas com os factos reais da história. Toda a investigação e fundamentação que a história apresenta é notável. 


Um livro que fala da sociedade fragilizada em que vivemos, em que os valores da vida humana estão a morrer. Uma história de ficção, mas um retrato tão real que arrepia. Uma escrita elegante e real.


Foi uma leitura compulsiva, que naturalmente recomendo.»



Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt

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O Espião Português, por Tita Rodrigues.

Opinião ao O Espião Português, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

«Como opinar sobre O Espião Português sem revelar demasiado? Tarefa difícil, mas vou tentar...

O nosso protagonista é André Marques-Smith, que é o jovem diretor do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e também um espião da Cadmo, uma agência de espionagem semigovernamental.

Agradou-me imenso esta vida dupla de André. Por um lado, temos o dia-a-dia normal de um funcionário do MNE, com a sua família, os seus dilemas e inseguranças. Por outro, temos as missões ao serviço da Cadmo, sempre perigosas e com cenas capazes de nos deixar "o coração nas mãos".

Outro aspeto que me agradou foi, ao longo do livro, ter várias referências literárias, musicais e até de programas de TV. Estes detalhes fazem-me sentir que as personagens e as suas vidas são reais.

Além de uma história cheia de ação, temos também vários mistérios e surpresas, quer ligados às missões, como também diretamente relacionados com André, mas que não vou desvendar para não vos estragar a leitura.

Quanto a personagens, e apesar de André ser a principal, houve uma muito especial que me cativou logo no primeiro momento. O Kimi! Impossível ficar indiferente, é tão fofo!

O livro, e apesar de ser o primeiro do autor, tem uma escrita fluída, com uma história com bastante ritmo, que nos faz querer virar página atrás de página. E como primeiro volume de uma trilogia, deixa-nos várias questões no ar, deixando-nos em pulgas pela continuação.

O Espião Português é um bom livro de espionagem, de um jovem autor português, com um bom ritmo de ação e uma boa dose de mistério que, estou certa, vos irá proporcionar uma leitura muito prazerosa.»


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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O antissocial.


Por motivos que prefiro manter privados, coloquei a forma como faço a gestão das minhas redes sociais e o conteúdo/
design do meu site oficial sob o escrutínio de profissionais da área. Os resultados não poderiam ser mais desanimadores, uma vez que, de acordo com essas pessoas, estou a fazer (quase) tudo mal. O site não gera tráfego além daquele que vai diretamente à minha procura e as entradas que faço no Facebook, Instagram e afins aparentam não ter uma estratégia por trás.

Estas observações não deixam de ter a sua pertinência. Sou um escritor, não uma estrela
pop. Portanto, não se pode esperar uma grande legião de seguidores (a menos que compre pacotes de likes, coisa que prefiro não fazer) e, como eu referi na reunião, eu posso não ter muitas pessoas comigo, mas as que tenho são fiéis, compram os livros e interagem. Por outro lado, quando me comparo com outros colegas que, ao que me parece, têm resultados inferiores aos meus nas livrarias, mas são efetivamente mais populares nas redes sociais, não deixo de admitir que a conclusão foi bem tirada. Eu ando mesmo a fazer algo de errado.

Já antes aqui escrevi sobre isto, acerca do muito que posso ter para dizer/ partilhar e que, todavia, escolho não tornar público. Tenho uma opinião sobre o que se passa à minha volta. A minha vida é uma complicação tão grande, que dava uma novela em pequenos capítulos no Twitter. E almoço, vou à praia, entre outras muitas coisas que poderia mostrar. Mas será que é mesmo isto que as pessoas querem? Há uma necessidade de ver assim tanto de mim?

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A Célula Adormecida, por Cláudia Pacheco.

Opinião por Cláudia Pacheco, Encruzilhadas Literárias, à Célula Adormecida.

«"A Célula Adormecida" não deixa de ser um livro atual, nem pode deixar de o ser, atendendo ao mundo em que vivemos hoje. Arrisco-me a dizer sem medo que este terá sido também um fator de peso para todos os que adquiriram o livro nestes últimos meses. Ninguém quer imaginar o que seria ver/acontecer tragédias que já se perpetuam em outros destinos europeus neste nosso canto ao mar plantado. Mas ainda assim, o fator risco e a possibilidade que infelizmente nunca poderemos descartar, leva a que um quase voyeurismo que nos imerge nesta necessidade de pensar nos "e se?" e "como faríamos no caso de?".

Considero também uma leitura necessária, cada vez mais, numa lógica de desmistificação de conceitos, preconceitos e estereótipos, para o bem de todos os que pretendem viver numa sociedade mais sã e sadia, de pensamento e de vivências. Não é de todo um livro pregador, mas a clarificação de acontecimentos, momentos, práticas religiosas, incursões culturais e muito mais, são tentativas claras de separação do trigo do joio e de elevação moral com a qual concordo e defendo, ainda que por vezes se caia na falácia de abordar uma situação complexa como exemplificativa em dois extremos ideológicos, esquecendo-se do espetro multifacetado e diversificado existente entre ambos. Ainda assim, julgo que foi uma abordagem propositada, especialmente numa época em que todas estas questões são sensíveis e essa exigência de separação de conceitos e procedimentos muitas vezes tão confundidos pela opinião pública era preponderante e necessária para abordagens que vão para além da leitura e que contribuem para questões de cidadania.

Dito isto, vamos voltar-nos para o enredo. Quando li a sinopse, imediatamente veio-me à mente um filme que tinha visto há largos anos, chamado precisamente "A Célula", com o Denzel Washington e a Annette Bening. Cedo me apercebi que tinha de limpar a mente e esquecer-me do enredo associado ao filme em causa para desfrutar da trama.

O autor já nos habituou ao seu estilo de narrativa: descritivo, indutor, com muita ação e capacidade de criar reviravoltas que surpreendem o leitor mais desatento. Estão também feitas para não serem desvendadas, ainda que um olhar mais acutilante chegue lá com alguma precisão. Mesmo sem um volte face constante, a narrativa prende, atendendo à rapidez dos acontecimentos e também à sua colocação espácio-temporal restrita e bem definida.

Gostei da adrenalina que proporcionou, sendo uma leitura rápida, fácil e bem conseguida, que mistura as doses certas de ação e secretismo, momentos-chave que criam elementos de andamento acelerado na história e uma série de tramas paralelas que contribuem para o enredo original (e que por vezes se interpelam, de forma a que quando algo novo ocorre em alguma delas, existe sempre um elemento de superação).

Quanto à trama principal (ou aquela que vou tomar como principal), gostei da personagem de Afonso Catalão e das suas várias dimensões, embora tenha ficado desiludida com o grande segredo que socorre este homem, uma vez que contava com algo mais original e diferenciado dos romances anteriores do autor.
 
As caracterizações desta célula adormecida foram bem fundamentadas, plausíveis e capazes de gerar discussão, que é essencialmente o que a narrativa pede. Não me senti muito confortável com os mecanismos de ignição das suas demonstrações públicas, porque na sua maioria foram todas rápidas, simplificadas e bastante semelhantes, e dado todo o tratamento cuidado ao longo do livro assim como a natureza sensível da narrativa, pareceu-me uma resposta demasiado fácil para os acontecimentos. Especialmente quando a fórmula de cativação se supõe a mesma para todos os membros, gerando algumas situações menos bem conseguidas no meu entender.

Senti também que por vezes surgiram alguns elementos que não me eram muito lógicos e que perfaziam o número somente para dar o salto estratégico para o avanço da narrativa, mas foram situações tão pontuais e menores que nunca estragaram a experiência de leitura. 

Olhando para trás agora após tantos meses, suponho que um dos fatores que mais me entusiasmou e manteve agarrada à narrativa é a fórmula que o autor utiliza, e que por vezes me faz lembrar o Dan Brown (não porque sejam iguais, mas porque julgo que os seus fãs se sentiriam bastante confortáveis em ler os livros do Nuno Nepomuceno quando em busca de algo do mesmo género): um
thriller onde há vários planos de ação, todos desvendados por camadas e perante a superação de obstáculo a obstáculo, com inimigos ocultos, romances algo inesperados que surgem por força de situações extremas onde só a confiança e a cumplicidade poderão salvar as personagens em perigo, uma eminência na temática principal que interliga de uma forma ou de outra todos os intervenientes da narrativa e uma série de informação didática, importante, com capacidade de ensinar sem ser cansativa e aparecendo com esmero quase como se não fosse sua intenção estar presente, mas que não nos abandona a mente durante toda a narrativa.»


Cláudia Pacheco
Encruzilhadas Literárias

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