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A Espia do Oriente | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Espia do Oriente, por Ana Beatriz.

Opinião a A Espia do Oriente, por Ana Beatriz, Dream Pages.

Depois de um primeiro volume absolutamente fantástico, parti para este segundo livro com expectativas elevadíssimas, mas também com algum receio de estar a colocar demasiada pressão sobre esta leitura. Contudo, o autor construiu a ação de uma forma tão excecionalmente fantástica, que ainda me conseguiu surpreender!

Como o nome indica, este volume divide a atenção entre André - o nosso espião favorito e protagonista de
O Espião Português - e China Girl - uma personagem misteriosa que conhecemos ainda no primeiro volume, mas que ganha relevante destaque nesta segunda parte. Ao longo do livro, vamos desvendando a sua história, os seus motivos e motivações, as adversidades e os obstáculos que a vida lhe impingiu e que a tornaram na pessoa que é hoje.

As revelações chocantes que marcaram o final do primeiro livro tomam continuidade em
A Espia do Oriente, mas a ação é agora dividida em vários planos. Revemos o André, que está a tentar lidar com a sua nova condição, mas que não consegue perdoar os pais por lhe terem mentido durante toda a sua vida; a misteriosa China Girl, que talvez não seja bem o que parece; e depois temos os membros da Dark Star, a organização terrorista que pretende apropriar-se do projeto Lebodin - um projeto de manipulação genética criado por um cientista russo.

A evolução do autor é notória em todos os aspetos: no amadurecimento da escrita, na construção e no contexto das personagens, nas reviravoltas surpreendentes e nas revelações, feitas exatamente no momento certo e, acima de tudo, no suspense magistralmente conseguido. O livro é muito rico nas descrições físicas e psicológicas, realizadas na perfeição, que têm a capacidade de envolver o leitor no clima vivido pelas diversas personagens. Os diferentes planos de ação cruzam-se e interligam-se complexamente, criando uma ação interessante e viciante, e levando o leitor a temer constantemente pela vida das personagens. Além disso, o Nuno consegue transmitir realmente os sentimentos e as emoções experienciadas pelas diversas personagens, o que acaba por ser bastante engraçado, pois, por diversas vezes, dei por mim realmente revoltada com algumas situações, como se estas tivessem acontecido comigo.

Enquanto que o primeiro livro tinha um caráter mais policial, este segundo assemelha-se já a um thriller, o que pode tornar a ação um pouco mais lenta, mas, em contrapartida, consegue mexer mais com a cabeça do leitor. E isso acontece, de facto, à medida que vamos mergulhando nas maravilhosamente entrelaçadas teias de acontecimentos que compõem esta trilogia e vamos descobrindo o passado ao acompanharmos o presente das personagens.

 E, quando pensamos que não é possível voltarmos a ser apanhados de surpresa - depois de tantas coisas fantásticas terem acontecido, é normal pensarmos isso -, eis que nos é provado exatamente o contrário! A verdade é que nem tenho palavras para descrever o final! É um desfecho tão inesperado, arriscado e surpreendente, que deixa o leitor completamente em suspenso, num misto de ânsia, pânico e excitação, temendo pelo que mais poderá acontecer.

A Espia do Oriente continua uma trilogia simplesmente maravilhosa e cativante, com personagens muito reais e complexas, e com uma história que agarra completamente desde o primeiro capítulo. Com ingredientes de um bom thriller - muito perigo, mistério e ação -, aliados à narrativa da vida familiar e das relações interpessoais, esta é uma história com grande consistência que, se não bastasse prender-nos completamente e mexer connosco a um nível bastante profundo, ainda nos leva a visitar interessantes monumentos e sítios emblemáticos de vários países. A única coisa que posso dizer é que, realmente, adorei e recomendo a toda a gente!


A Espia do Oriente
Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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A Espia do Oriente, por Tita Rodrigues.

Opinião a A Espia do Oriente, por Tita Rodrigues, O Prazer das Coisas.

Este é o segundo livro da trilogia Freelancer, mas que pode ser lido de forma independente, pois, sempre que é necessário, o Nuno faz vários enquadramentos/resumos dos acontecimentos de O Espião Português. De qualquer modo, e como leitora, recomendo que leiam os livros por ordem e assim vivam mais intensamente a vida de André Marques-Smith, funcionário do MNE e espião ao serviço da Cadmo.

E ao contrário do primeiro livro, mais centrado na vida de André, em
A Espia do Oriente vamos conhecendo melhor a vida e passado de China Girl, a misteriosa espia da Dark Star, mas também Monique.

Se já tinha gostado bastante do primeiro livro, este segundo deixou-me completamente colada. Temos várias histórias no enredo que captam a nossa atenção, tornando-o ainda mais rico, sempre com uma boa dose de perigo e ritmo e sempre com aquela sensação de "em quem confiar?".

As personagens são outra mais-valia do livro. O Nuno torna-as tão humanas e reais, com os seus medos, inseguranças, sentimentos. Se já tinha gostado do André, posso-vos dizer que China Girl não lhe fica mesmo nada atrás, mas prefiro que sejam vocês a descobrir mais sobre esta mulher.

Nota-se também uma clara evolução do Nuno enquanto escritor. Não só pelo enredo mais denso e com mais pontos de interesse, mas também pela própria escrita, que está ainda melhor, com parágrafos mais longos e descrições mais envolventes e ricas. Digo-vos, o Nuno escreve mesmo muito bem!

E não pensem que neste livro só temos ação e mais ação; cenas com ritmo alucinante. Temos também algumas mais leves e pautadas com uma boa dose de humor, nomeadamente com uma personagem algo peculiar, a Diva Winking

E o final? Absolutamente fabuloso e que nos deixa completamente ansiosos por pegar no último volume. E acreditem, não vai demorar muito tempo a pegar n'
A Hora Solene, pois estou muito mas muito curiosa para conhecer o desfecho desta magnifica história.

Tal como os outros dois livros que li do Nuno (
A Célula Adormecida e O Espião Português), este foi mais uma leitura compulsiva, que me deixou sempre agarrada ao livro e sempre que terminava um capítulo pensava "só mais um".


Tita Rodrigues
o-prazer-das-coisas.blogspot.pt

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Memórias.

Três livros publicados e quem os leu já deve ter notado que, por vezes, não utilizo formas narrativas convencionais. Aliás, julgo até ser uma das minhas melhores características, quase uma imagem de marca. O que quero dizer com isto é que a trilogia não tem uma espinha dorsal linear. Há avanços e retrocessos (não muito frequentes, pois acho que tal seria um exagero), ou prolepses e analepses, se desejarmos utilizar uma linguagem mais técnica, mas que, de uma certa forma, acabam por fazer avançar a história. Os dois excertos que transcrevo abaixo são um exemplo disso mesmo. Descrevem o mesmo momento do enredo global. Contudo, há um livro inteiro de permeio (e sim, A Espia do Oriente inicia-se quatro meses depois do fim do Espião Português).

«Sem maquilhagem e de cabelo discretamente apanhado atrás, deambulou pelo quarteirão. Deixara
China Girl no quarto e aquela era a primeira vez desde há muito tempo que se permitia fugir à mulher que ela própria decidira personificar.
Acabou por ir ter a Stephansdom. Sabia que era lá que ele se deveria encontrar.
O sempre frenético Marriott de Viena recebeu-a, calmo. Era muito tarde, noite avançada. Atravessou a cosmopolita galeria de bares, lojas, restaurantes e repuxos que dominavam o átrio e foi até à piscina interior.
Com os acordes intimistas e eclécticos do piano de George Michael a ouvirem-se ao fundo, observou-o em silêncio. André Marques-Smith estava sentado em calções, com a camisa suja de sangue entreaberta, uma caixa de gelado na mão, a luz reflectida no rosto
e as pernas meio mergulhadas na água, a mesma que a transportou de imediato a uma infância que, apesar dos esforços, e à luz dos acontecimentos daquela noite, soube nunca ir esquecer.

O português apresentava uma tristeza ainda mais profunda do que a dela. Parecia uma sombra do jovem brilhante que meses antes em Estrasburgo a havia cativado com um mero olhar.
E uma rapariga chegou.»

A Espia do Oriente, por Nuno Nepomuceno.



«A luz da piscina reflecte-se-lhe no rosto. Mexe ligeiramente as pernas e a água agita-se por instantes. Um pequeno restolhar acompanha o piano que toca baixinho ao fundo. Num registo intimista, George Michael canta «Kissing a Fool». Fecha os olhos e leva uma colher de gelado à boca, enquanto tenta saborear a paz daquele instante. A desejar poder absorvê-la e guardá-la só para si.

Perdeu a noção do tempo. Não sabe há quanto está ali. Sabe apenas que é de madrugada. Está às escuras, sozinho, no hotel, com os pés mergulhados na piscina quase até aos joelhos e a camisa branca ensanguentada por cima dos calções. Os seus preferidos. Os calções e o gelado de baunilha. A sua própria prenda de anos. Um pequeno conforto. O seu dia de aniversário...
[…]
O som de passos fá-lo olhar para trás. Marie senta-se ao seu lado, as pernas dobradas em cruz sobre a beira da piscina aquecida. Olha-o muito séria.»

O Espião Português, por Nuno Nepomuceno.


PS - Um pequeno aviso à navegação. Winking Estejam atentos ao
site oficial e às minhas redes sociais durante os próximos dias, pois há uma grande novidade reservada para breve (Oh yeah!).

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