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Ana Beatriz | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

A Hora Solene, por Ana Beatriz.

Opinião a A Hora Solene, por Ana Beatriz, Dream Pages.

«A trilogia
Freelancer conquistou-me inteiramente com o primeiro volume, "O Espião Português". E, depois, li o segundo livro, "A Espia do Oriente", que, apesar das já elevadas expetativas, ainda me conseguiu surpreender. Podem, portanto, imaginar a vontade que tinha de ler "A Hora Solene" e descobrir o que mais poderia o autor fazer para me deixar boquiaberta, principalmente depois do final do segundo volume, que foi totalmente... inesperado. 

Estamos em Londres, numa fria noite de tempestade, e um homem é esfaqueado e abandonado à sua sorte em plena rua. Se isto, por si só, não fosse já surpreendente, ao mesmo tempo, um homem da associação terrorista O Gótico entrega-se voluntariamente, um avião sofre um atentado e é divulgado um vídeo que promete manter o mundo em suspenso durante alguns meses. Se fosse um outro livro, de um outro autor, poderíamos pensar que estes acontecimentos nada tinham em comum... mas não com o Nuno! Todos estes estranhos episódios estão, na verdade, conectados, e o elemento central é André Marques-Smith, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português e agente da Cadmo.

Mais uma vez, temos em paralelo a vida quotidiana do protagonista - o trabalho no Ministério, a convivência com os pais e com a irmã mais nova, as peripécias do seu cão - e a sua vida dupla, como agente da Cadmo, num mundo de espionagem em que nem tudo é o que parece, e em que nem sempre é simples aferir quem são os aliados e quem são os inimigos.

À semelhança dos livros anteriores, temos também capítulos que narram as linhas de ação de outras personagens, bem como toda a contextualização necessária para que não seja preciso reler segmentos dos primeiros volumes para entender o que está a acontecer. Neste livro, em particular, há ainda espaço para algumas reflexões sobre a ética, a família, o amor, a importância da vida humana e os valores implicados no campo científico. Gostei especialmente das questões éticas subjacentes ao uso da manipulação genética tendo em vista o aperfeiçoamento do ser humano.

De livro para livro, a evolução do autor é notável. Tudo nesta trilogia está tão magnificamente pensado, que é impossível não nos admirarmos com os pequenos detalhes que marcam a diferença. Como tenho vindo a referir, a escrita do Nuno é especial e agarra o leitor de tal forma que a leitura adquire um ritmo frenético, tornando-se compulsiva ao ponto de ser necessário um grande esforço para pousar o livro. Consegue transmitir as emoções das personagens para o leitor, conjugando tudo de forma tão maravilhosa que, quem lê, acaba por sentir-se realmente parte da história, de tão envolto que está neste mundo de intrigas e traições.

E o final é, mais uma vez, fantástico, embora desta vez de uma forma mais positiva (felizmente!). Nota-se a preocupação do autor em fechar todas as pontas soltas, pelo que encontramos respostas para todos os mistérios levantados ao longo dos primeiros livros.  O Nuno é o perfeito exemplo de que também temos escritores incríveis no nosso país, pelo que deveríamos apostar e dar mais apoio aos autores portugueses. Quero ainda agradecer-lhe pelas amáveis palavras endereçadas, tanto a mim como a vários outros
bloggers e youtubers, nos agradecimentos, bem como pela oportunidade de ler estes livros extraordinários.
"A Hora Solene" encerra com chave de ouro a Trilogia
Freelancer, onde dizemos adeus a um André mais forte, mais maduro e mais seguro de si. Em suma, esta é uma trilogia tão excecional que se torna difícil para mim falar sobre ela, pois sinto sempre que as palavras não chegam. Por isso, só vos peço: leiam! Tenho a certeza de que não se irão arrepender!»


Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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A Espia do Oriente, por Ana Beatriz.

Opinião a A Espia do Oriente, por Ana Beatriz, Dream Pages.

Depois de um primeiro volume absolutamente fantástico, parti para este segundo livro com expectativas elevadíssimas, mas também com algum receio de estar a colocar demasiada pressão sobre esta leitura. Contudo, o autor construiu a ação de uma forma tão excecionalmente fantástica, que ainda me conseguiu surpreender!

Como o nome indica, este volume divide a atenção entre André - o nosso espião favorito e protagonista de
O Espião Português - e China Girl - uma personagem misteriosa que conhecemos ainda no primeiro volume, mas que ganha relevante destaque nesta segunda parte. Ao longo do livro, vamos desvendando a sua história, os seus motivos e motivações, as adversidades e os obstáculos que a vida lhe impingiu e que a tornaram na pessoa que é hoje.

As revelações chocantes que marcaram o final do primeiro livro tomam continuidade em
A Espia do Oriente, mas a ação é agora dividida em vários planos. Revemos o André, que está a tentar lidar com a sua nova condição, mas que não consegue perdoar os pais por lhe terem mentido durante toda a sua vida; a misteriosa China Girl, que talvez não seja bem o que parece; e depois temos os membros da Dark Star, a organização terrorista que pretende apropriar-se do projeto Lebodin - um projeto de manipulação genética criado por um cientista russo.

A evolução do autor é notória em todos os aspetos: no amadurecimento da escrita, na construção e no contexto das personagens, nas reviravoltas surpreendentes e nas revelações, feitas exatamente no momento certo e, acima de tudo, no suspense magistralmente conseguido. O livro é muito rico nas descrições físicas e psicológicas, realizadas na perfeição, que têm a capacidade de envolver o leitor no clima vivido pelas diversas personagens. Os diferentes planos de ação cruzam-se e interligam-se complexamente, criando uma ação interessante e viciante, e levando o leitor a temer constantemente pela vida das personagens. Além disso, o Nuno consegue transmitir realmente os sentimentos e as emoções experienciadas pelas diversas personagens, o que acaba por ser bastante engraçado, pois, por diversas vezes, dei por mim realmente revoltada com algumas situações, como se estas tivessem acontecido comigo.

Enquanto que o primeiro livro tinha um caráter mais policial, este segundo assemelha-se já a um thriller, o que pode tornar a ação um pouco mais lenta, mas, em contrapartida, consegue mexer mais com a cabeça do leitor. E isso acontece, de facto, à medida que vamos mergulhando nas maravilhosamente entrelaçadas teias de acontecimentos que compõem esta trilogia e vamos descobrindo o passado ao acompanharmos o presente das personagens.

 E, quando pensamos que não é possível voltarmos a ser apanhados de surpresa - depois de tantas coisas fantásticas terem acontecido, é normal pensarmos isso -, eis que nos é provado exatamente o contrário! A verdade é que nem tenho palavras para descrever o final! É um desfecho tão inesperado, arriscado e surpreendente, que deixa o leitor completamente em suspenso, num misto de ânsia, pânico e excitação, temendo pelo que mais poderá acontecer.

A Espia do Oriente continua uma trilogia simplesmente maravilhosa e cativante, com personagens muito reais e complexas, e com uma história que agarra completamente desde o primeiro capítulo. Com ingredientes de um bom thriller - muito perigo, mistério e ação -, aliados à narrativa da vida familiar e das relações interpessoais, esta é uma história com grande consistência que, se não bastasse prender-nos completamente e mexer connosco a um nível bastante profundo, ainda nos leva a visitar interessantes monumentos e sítios emblemáticos de vários países. A única coisa que posso dizer é que, realmente, adorei e recomendo a toda a gente!


A Espia do Oriente
Ana Beatriz
dream---pages.blogspot.pt

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