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Diogo Coutinho | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

Discurso direto.

Transcrição da entrevista concedida em direto via Skype a Diogo Coutinho, No Conforto dos Livros.

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As pessoas vão ver um Nuno ainda mais negro no novo livro, um ponto ao qual sempre quis chegar e que vou dar a conhecer finalmente. Acho que vão ficar surpreendidas ou até mesmo chocadas com o conteúdo.»

  • 1. Eu gostaria de começar com a “pergunta da praxe”, ou seja, existe algum livro ou autor que considere especialmente inspirador, ou que o tenha ajudado na escrita?

O meu preferido é “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas (eu tenho um estilo bastante diferente dele). Mas há alguns autores que são, obviamente, uma referência para mim e que, de alguma forma, acabaram por despertar em mim um maior desejo de escrever. É o caso de Daniel Silva (muitas pessoas fazem essa comparação, atualmente). Não escondo que gosto de ler os livros do Daniel, mas também acho que tenho uma voz própria. Acabamos sempre por ser influenciados por diversos autores e por tudo aquilo que se passa à nossa volta, ao que assistimos e ouvimos; é impossível ser completamente original. Também tenho algumas umas referências em Portugal, sobretudo pelas carreiras que têm desenvolvido e pela forma como as têm gerido. É o caso de José Rodrigues dos Santos e do próprio Luís Miguel Rocha (que, infelizmente, já faleceu). São todos bons exemplos a seguir e que devem ser respeitados, quer se goste ou não do seu estilo.
 
  • 2. Pegando então em inícios, passaria ao “Espião Português”, o seu primeiro livro publicado. Porquê a espionagem para começar uma carreira como autor?

Era o género em que me sentia mais confortável por duas razões. Em primeiro lugar, sempre gostei de ler e ver filmes e séries sobre espionagem. Não tenho qualquer formação na área, mas quando comecei a escrever o primeiro livro, era nesse género que me sentia capaz de fazer um melhor trabalho. Por outro lado, achei que em termos de mercado seria uma escolha ousada e até inteligente. Um autor a escrever sobre espionagem em Portugal seria algo diferente do panorama atual, e acho que tenho conquistado algum público por isso mesmo. Os autores de policiais são poucos por cá. E de espionagem e ação, como é o caso de “O Espião Português”, não consigo citar um outro nome. Foi uma estratégia que segui, ainda que entretanto tenha evoluído na minha carreira. Não tenho abordado exclusivamente espionagem e ação, mas estas são referências que vêm comigo e que acabam por moldar aquilo que sou enquanto escritor.
 
  • 3. Quanto ao seu último livro, “A Célula Adormecida”, como surgiu a ideia? Foi algum momento específico da sua vida?

Não precisamente. Foi uma ideia que foi sendo amadurecida com a editora com a qual trabalhava na altura. Quando entreguei “A Hora Solene”, tivemos uma pequena reunião na qual discutimos qual seria o próximo livro. Colocámos algumas opções em cima da mesa e a ideia dada pelo editor foi a de escrever um thriller sobre tensões sociais. Isto aconteceu em setembro de 2015, uma altura em que começaram a surgir imensas notícias sobre o êxodo de refugiados e a tragédia que ocorria nos mares da Grécia e Itália, acontecimentos que provocaram diversas diversas tensões sociais nos países de acolhimento. O livro não versa muito sobre o tema, mas aborda temas como a xenofobia, o racismo e o crescimento dos partidos de extrema direita. São assuntos que se encontram relacionados com as tensões sociais, embora o narrativa do livro seja maioritariamente dedicada ao terrorismo.
 
  • 4. Permanecendo na “Célula”, e visto que, durante a leitura do livro, reparei (e seria impossível não o fazer) que revelou profundos conhecimentos sobre a cultura islâmica, as células terroristas, os refugiados, etc, como se desenvolveu este período de pesquisa?

Existiram duas pessoas que me ajudaram na pesquisa. Quanto à cultura islâmica, dirige-me à Mesquita Central de Lisboa, travando conhecimento com o sheik David Munir, um dos dois imãs. Falei com o sheik por várias vezes e estive presente em alguns dos dias de congregação, às sextas feiras. Também me familiarizei muito com o espaço e fui tendo algum contacto com a cultura. Paralelamente, fiz uma pesquisa sobre certos aspetos da religião em si. Utilizei livros, artigos de imprensa e li excertos do Alcorão. Portanto, foi um processo bastante longo que começou em novembro e que foi sendo complementado ao longo do processo de escrita do livro. E até a revisão contou com a ajuda do sheikh Munir. A nível das células terroristas, tive a ajuda de um contacto que trabalha nos Serviços Secretos Portugueses e que não estou autorizado a identificar. Também efetuei uma pesquisa semelhante para o livro que foi anunciado para o ano.
 
5. O que considera ser autor em Portugal? Talvez algo mais inglório do que em outros países?

Considero que ser autor em Portugal é exatamente o mesmo que em qualquer outro país pequeno. As pessoas comparam-nos muito com o Reino Unido ou com os Estados Unidos da América, onde um livro que vende pouco é um bestseller em Portugal, se compararmos os números. Mas nós não devemos fazê-lo. São mercados com fundamentos completamente diferentes, começando logo pelo número de leitores e pelas suas condições económicas. As pessoas têm reservas em investir num livro, porque o utilizam durante um determinado número de semanas e depois este fica arrumado na estante. É claro que aqui enfrentamos dificuldades, mas isso também acontece, por exemplo, com um autor na Hungria, Itália, Grécia, etc. E se pensarmos nos escritores africanos, eles estão muito pior do que nós, daí que autores angolanos e moçambicanos se socorram do mercado português para singrarem. Se compararmos com os mercados americano, inglês e espanhol, ficaremos sempre a perder. É difícil ser autor em Portugal, mas não é impossível. E temos autores portugueses que vendem tanto ou mais do que autores estrangeiros. Alguns deles competem diretamente com Dan Brown no top nacional. Portanto, sim, é difícil, mas não impossível.
 
  • 6. Sempre ouvimos dizer que um bom escritor tem de ser, antes de mais, um bom leitor. Tem alguma espécie de disciplina; “regras” para ler e escrever?

O meu processo de escrita tem-se alterado bastante ao longo dos últimos anos. Os primeiros dois livros foram escritos sob a forma de fragmentos. A partir de “A Hora Solene”, tentei reservar uma parte do meu ano (no caso de “A Célula Adormecida”, foram quatro meses) para me dedicar mais à escrita (não exclusivamente, já que tenho outra carreira), mas procuro canalizar todo o meu tempo livre para a escrita. Nesse tempo, tento ter, pelo menos, duas a três horas disponíveis. Não sou capaz de pegar num computador e iniciar um capítulo sem antes preparar algumas ideias, esquematizar. De resto, vou tentando condensar o processo e reservar uns meses para isso. Se tiver o dia livre, tentarei escrever de manhã e à tarde. Não costumo escrever à noite. Para mim, tem-se tornado cada vez mais importante ter ritmo de escrita; é muito bom e ajuda-nos a progredir no livro. É mais fácil entrar no universo do livro e nas personagens com uma redação continuada.
Como leitor, não tenho regras. Já li mais do que leio atualmente. Pelo facto de ter duas carreiras em paralelo, é difícil ler tanto quanto gostaria. Chego cansado ao fim do dia e com a vista fatigada. De qualquer das formas, neste momento, não estou a escrever, o que significa que ando a ler. E assim irei continuar nos próximos meses, ao mesmo tempo que preparamos o lançamento do meu novo livro, que poderá ocorrer em janeiro ou em março.
 
  • 7. Durante/no final da escrita do livro, costuma pedir conselhos a pessoas conhecidas, a alguém especializado até?

Não. Eu tomo todas as decisões sobre o livro e não revelo o conteúdo a ninguém. Cheguei a mostrar “A Espia do Oriente” a um familiar, mas atualmente já nem isso faço. O livro sai da minha mão diretamente para o editor. Depois, acaba por sofrer alterações com o processo de edição, no qual se encontra o meu novo livro neste momento. Será sempre sujeito a algumas modificações, mas espero que não sejam muitas.
 
8. Dos livros que escreveu, se tivesse de escolher um como seu "predileto", qual seria?
Todos eles são especiais para mim de uma forma ou de outra. “O Espião Português” foi o primeiro e é ainda aquele pelo qual sou mais conhecido. “A Espia do Oriente”, infelizmente, é o meu livro menos vendido, mas diria que é o que mais gosto. É o mais grosso da trilogia, o mais denso, o mais negro. “A Hora Solene” é especial porque foi o fim de um projeto de doze anos e por ser o mais equilibrado dos três. “A Célula Adormecida” trouxe-me algum reconhecimento, mas o meu preferido será o livro novo. Estou muito, muito satisfeito com ele. É um thriller psicológico que volta a ter uma grande componente religiosa e algumas ligações ao terrorismo e à espionagem. Estou orgulhoso. As pessoas vão ver um Nuno ainda mais negro, um ponto ao qual sempre quis chegar e que vou dar a conhecer finalmente. Acho que vão ficar surpreendidas ou até mesmo chocadas com o conteúdo do livro.
 
  • 9. A última questão é mesmo sobre o seu novo trabalho. De certa forma já foi respondida, mas, se quiser adiantar mais algum detalhe…

Não posso falar muito sobre ele por questões de marketing, visto que ainda é muito cedo. O objetivo é que chegue às livrarias a tempo das campanhas do dia do pai. O mais provável, e se não houver imprevistos, é o livro sair em janeiro. Bem… O que posso dizer sobre o livro para além do que já disse há pouco? Há uma novidade. O protagonista do livro é novamente o protagonista de “A Célula Adormecida”. O professor Catalão está. É algo que ainda não contei a ninguém; é a primeira vez que o estou a dizer. Não é uma continuação, contrariamente àquilo que se possa pensar. Não estou a fazer uma nova trilogia. Aliás, nem sequer decidi ainda se voltar ou não ao Afonso um dia. É apenas um livro cujo protagonista transita do anterior. Será um thriller psicológico muito denso e com alguns temas bastante polémicos pelo meio.

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A Espia do Oriente, por Isaura Pereira vs A Célula Adormecida, por Diogo Coutinho


Opiniões retiradas dos blogues de opiniões literárias
Jardim de Mil Histórias e No Conforto dos Livros.

«Se o primeiro livro foi uma introdução a toda a história, neste volume encontramos mais ação e um aprofundamento da vida de espião de André Marques-Smith. Temos a oportunidade de conhecer melhor outras personagens, como 
China Girl, que inicia uma empatia maior com o leitor (pelo menos, foi essa a minha perceção).  Novamente muito bem escrito, com muito ritmo e ação. Não sou de ler séries ou trilogias. Se não me engano esta é a primeira série/trilogia que leio. Contudo, acho que o segundo volume é sempre mais denso, pois tem maior profundidade na história.  Quero ler e conhecer o final desta história e destas personagens que me acompanharam durante algum tempo. Não deixem de ler, que vale a pena.»


A Espia do Oriente
Isaura Pereira
jardimdemilhistorias.blogspot.pt




«Tenho de vos dizer que gostei da ideia, do facto de o autor envolver o nosso país no tema do terrorismo, que (felizmente) ainda desconhece essa realidade. Gostei da teoria desenvolvida ao longo da obra, a qual já chegara a ponderar.

Acima de tudo, estou certo de que os temas desenvolvidos completam a temática geral: é-nos apresentada uma família de refugiados em Portugal, conhecemos um pouco da cultura islâmica e dos conflitos no Médio Oriente, a mediatização dos atentados e as represálias que caem sobre os inocentes muçulmanos que apenas visam a paz. Por acaso (ou nem tanto!), ao longo de toda a obra, a distinção entre o islamismo e terrorismo é perfeitamente desenvolvida e conseguida: islamismo é paz e respeito, terrorismo é morte e deturpação dos princípios de Alá.

E tudo é acompanhado por um toquezinho de espionagem, com o qual me deliciei...

A narrativa em terceira pessoa alterna entre o professor Catalão, a família de refugiados e uma jornalista de renome que investiga o caso para apresentar aos portugueses. Já a escrita, não me agradou assim tanto: nitidamente, vocabulário não falta ao autor, mas creio que lhe faltou um bocadinho de ritmo, frases um pouco mais longas e ligadas, menos interrupções. Desta forma, até os momentos de suspense no final dos capítulos teriam outro impacto.
 
As personagens são bastante cativantes, ou melhor, vão-se tornando à medida que vamos avançado e conhecendo melhor o seu caráter, incluindo o seu passado (existem alguns recuos aos anos anteriores e nas doses certas).

A capa, bastante simples, representa uma simbologia presente em toda a obra. A diagramação auxilia a fluidez da leitura.

Enfim, gostei da abordagem do autor, mesmo que não tinha sido a mais criativa. Conseguiu cativar-me durante toda a leitura, o que é um ponto mais que positivo. Aconselho a todos para que sejam cidadãos mais conscientes acerca do que ocorre à nossa volta e do que o terrorismo engloba, os seus objetivos. E, já sabem, aproveitem que é nacional!»


A Célula Adormecida
Diogo Coutinho
no-conforto-dos-livros.webnode.com

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