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Entradas pessoais | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

O meu labrador gosta de cotas. LOL!


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Soube desde o primeiro momento em que olhei para ele que iria ter em mãos um cachorro especial. Aliás, foi o próprio criador a quem o comprei que mo confirmou há cerca de um ano, o dia em que o trouxe para casa. Começou por apontar para a caixa de cartão que levara para o transportar.

— O que é que pensa que veio buscar, um gato? — perguntou o senhor.

— Ele não cabe aqui? — respondi, aturdido. Tinha a inocente ideia de que todos os labradores bebés eram frágeis, puros e inocentes como os do anúncio da
Scottex. Porque é que o meu haveria de ser diferente?

— O cão que tenho para si é um pouco mais velho do que o que me encomendou — explicou o homem, com seriedade.

— O que é que aconteceu ao meu?

Apesar de ainda não o ter visto, já me imaginava com o pequeno Kimi serenamente a dormir no meu colo ou a trotar disciplinado ao meu lado.

— As bolinhas não desceram — disse ele. — Por isso, dei-o a uma pessoa amiga, mas tenho aqui um outro cachorro com mais duas semanas que é muito asseado. É o cão ideal para si, vai ver!

Tive a certeza assim que o vi vir a correr, as patas de trás a atropelarem as da frente de forma atabalhoada e os dentes de leite a mordiscarem as botas do criador, que bem que me podia preparar para uma mão cheia de trabalhos. Estava um dia de sol e o pelo branco reluzia sob o céu azul. Curiosamente, vinha manchado com várias pintas castanhas. O senhor cachorro, o tal que era o ex-líbris do asseio, acabara de andar à bulha com o irmão, durante a qual rebolou por cima dos próprios excrementos.

Os dias e meses que se seguiram confirmaram-no categoricamente. O Kimi é, sem dúvida, um cachorro especial. Diria antes traquinas, desavergonhado e irremediavelmente teimoso. Quando eu tentei ensiná-lo a andar com trela aproveitou a oportunidade para sentar o rabo no chão e extorquir-me um sem fim de guloseimas que escondeu no meio dos arbustos (ou melhor, naquilo que em tempos foram os meus arbustos, pois a minha casa deixou de ter um jardim; é agora rodeada por um canil de luxo!). E acabou-se o sossego à noite. O senhor cachorro, que dorme no alpendre, tem o desplante de andar a espreitar pelas portas de sacada da sala, à minha procura, chegando a bater nos vidros com as patas ou o focinho até eu me levantar do sofá e ir brincar com ele.

Claro que estou a exagerar um pouco. Obviamente que desde o dia em que o fui buscar, que o Kimi aprendeu quem é que manda cá em casa. Pois, sim, é ele…

Mas isto de ter um cão com um charme irresistível e os olhos de um James Dean dos tempos modernos também tem as suas vantagens. Eu, que vivo no meu bairro há oito anos, nunca fui mais popular como agora. Passei de ser um autêntico eremita desconhecido para o rei da rua. Todos os meus vizinhos me conhecem como o dono do Kimi (não como o Nuno, repare-se) e o novo estatuto de celebridade de que gozo à custa do fofo do meu cão é tão peculiar, que já me perguntaram inclusivamente se me tinha mudado para aqui recentemente.

O ponto positivo é que passei a socializar mais. O passeio diário que dou com o Kimi serve para tudo um pouco, desde arejar a cabeça a colocar as tricas de vizinhos em dia. Mas claro que o senhor cachorro não poderia, ainda assim, deixar de fazer das suas. Num destes dias, estava eu calmamente a trocar umas palavras com um senhor que andava a passear um casal de
golden retrievers, quando dei pela cadela a esconder-se muito depressa atrás das pernas do dono, assustada. A Wendy, que tem quase 14 anos e caminha já com alguma dificuldade, estava a ser «cortejada» por um senhor labrador, que desavergonhadamente lhe «arrastara a asa». Não é que o meu cachorro gosta de cotas?

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O que eu tenho andado a ler.

Os seguintes textos não são opiniões/ críticas aos livros apresentados. Com esta entrada desejo apenas dar a conhecer um pouco daquilo que leio e fazer algumas sugestões de leitura a quem estiver interessado.

Gosto bastante de ler e tento fazê-lo de forma regular. Infelizmente, o tempo tem andado algo curto. Duas carreiras, ambas igualmente exigentes, se bem que de forma bastante diferente, não é fácil de lidar e os últimos tempos têm sido particularmente difíceis no que à conjugação das duas diz respeito. Ainda assim, aqui fica o que li desde o verão do ano passado até fevereiro de 2017.


O Espião Inglês, Daniel Silva, Harper Collins

Este é mais um dos já vários volumes da série protagonizada por Gabriel Allon, o espião israelita ao serviço da Mossad com uma predileção especial pelo restauro de arte. Quem já leu estes livros sabe perfeitamente que são algo estereotipados, com uma construção narrativa que muda pouco ou nada, o que não impede que sejam bastante bons dentro do seu género.
O Espião Inglês não é exceção, antes pelo contrário. Destaco a transição Belfast — Lisboa — Londres, onde Daniel Silva se excedeu e nos oferece do melhor que já fez.


O Que Ela Deixou, T. R. Richmond, Editorial Presença

Essencialmente, trata-se de um thriller psicológico dos tempos modernos, mais adaptado à realidade inglesa e norte-americana, do que à portuguesa. Começa com o homicídio da protagonista, Alice Salmon, seguindo-se a reconstrução da sua vida desde a infância em casa dos pais até ao acontecimento que conduziu à sua morte, já na idade adulta, através de uma compilação de tudo o que um professor consegue encontrar sobre ela (excertos do diário, cartas, sms, tweets, etc&hellipWinking. Talvez a primeira parte do livro seja algo parada, mas depois ganha mais ritmo e torna-se num livro interessante e de agradável leitura.


O Quinto Evangelho, Ian Caldwell, Editorial Presença

E se existir um quinto evangelho, além dos quatro já conhecidos (S. Marcos, S. Lucas, S. Mateus e S. João)? É esta descoberta que move a intriga principal do livro, cuja ação decorre integralmente na cidade do Vaticano. O livro vai mais além dos contornos habituais do género e revela-se uma obra muito interessante sobre religião, sobretudo, pela caracterização que faz da relação entre ortodoxos e católicos. A relação entre o pai e filho também foi muito bem trabalhada pelo autor.


O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler, Porto Editora

Romance histórico passado na altura da perseguição aos judeus que ocorreu em Portugal e Espanha no fim do século XV e, como tal, uma excelente reconstrução da Lisboa da época. O livro começa com a morte do tio do protagonista e demonstra que é possível construir um romance com contornos policiais, sem ainda assim perder o rigor e exatidão que se exigem a uma obra com esta ambição.


O Discípulo, Hjorth & Rosenfeldt, Suma de Letras

2º volume da série Sebastian Bergman, o
profiler que colabora ocasionalmente com o equivalente sueco à Polícia Judiciária portuguesa. O protagonista não é uma personagem simpática, o que, no caso do 1º volume me tinha dificultado algo a leitura. Contudo, a dupla de autores responsável pela série fez algo muito inteligente — utilizou essa característica para criar algum humor, dotando Sebastian de uma empatia que até este livro não lhe conhecia. Edward Hinde, o vilão do livro, é uma personagem fascinante, bem trabalhada, que carrega o enredo, quase nos fazendo desejar que seja bem-sucedido. Ah, e não sei se fui eu que interpretei mal, mas para quando um romance entre a Vanja e o Billy?


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