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Margarida Veríssimo | Site oficial de Nuno Nepomuceno.

Margarida Veríssimo

A Célula Adormecida, por Margarida Veríssimo.

Opinião retirada de novagazeta.pt.

«Ler um livro é algo que me dá sempre muito prazer. Se o livro for bom, para além do prazer que me dá, ainda me transporta para o seu mundo como se eu própria fosse personagem, vivendo em tempo real as aventuras, desventuras, paixões, desilusões, frustrações, vitórias, medos e alegrias descritas. Mas se um livro for muito bom e lido na língua original em que foi escrito, então o prazer imenso funde-se com o orgulho. Foram estes sentimentos que o livro “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno me proporcionou.

O livro, muito atual, cativa-nos da primeira à última palavra. Com capítulos pequenos, apresenta-nos o enredo, a ação e a muita informação de forma serena, sem pressas, permitindo-nos ir absorvendo e assimilando todas as questões tratadas no decorrer da história, sem que com isso perca o ritmo da ação, que em crescente cadência no prende e nos estimula. Não sendo um livro ligeiro também não é massudo nem pesado. Tem tudo no sítio certo, na altura certa, na dose certa.

“A Célula Adormecida” fala de política, de religião, de traição, de ódio e de amor, com muito amor, com muita humanidade. Curiosamente não senti qualquer raiva ou ódio pelos personagens com personalidades mais irritantes ou executantes de atos condenáveis, tal o amor e compaixão que o autor lhes/nos transmite. E o livro é isso mesmo, uma lição de amor, apesar de o ódio ser um sentimento constante ao longo de toda a narrativa.

A par de ler o livro na sua língua original, o português, o que considero sempre uma mais-valia, outra caraterística que me fez sentir mais próxima e dentro do livro foi o facto da ação se dividir entre a cosmopolita Istambul e a minha amada e saudosa Lisboa, nos seus percursos pela cidade.

Sendo um livro de ficção, relata-nos factos e situações reais, o que torna toda a história muito mais emocionante e nos faz pensar profundamente na possibilidade da ficção se tornar realidade. Por outro lado, é uma obra que nos conduz à realidade de uma comunidade cada vez maior na/da nossa sociedade.

Esta obra fez-me recordar quando há mais de 25 anos fiz para a faculdade um trabalho de grupo sobre a Mesquita Central de Lisboa. De uma forma muito mais distante e ligeira, também nessa altura tivemos de perceber a cultura, a religião e a arquitetura islâmica para então compreender e caracterizar o edifício da mesquita. Mas o que recordo com mais carinho, o mesmo carinho que senti no livro, foi a simpatia e abertura com que fomos recebidos na mesquita. Apesar de sermos 1 rapaz e 3 raparigas de 20 anos, nunca senti qualquer pudor ou preconceito. O responsável que nos recebeu mostrou-se sempre muito prestável e até divertido, contando-nos histórias e curiosidades sobre o projeto e a construção da mesquita e permitiu-nos uma visita aos vários espaços do edifício, com exceção da sala de orações exclusivamente destinada a homens, onde apenas ao nosso colega rapaz foi permitido entrar… Como “castigo” pelo privilégio, por maioria (feminina) foi decidido que seria ele a apresentar oralmente essa parte do trabalho.

Por todas estas e muitas mais razões, que decerto encontrarão, “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno é um livro que recomendo vivamente.»


Margarida Veríssimo
novagazeta.pt

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